USDA deve reduzir expectativas para safra em próximo relatório, diz analista

Condições das lavouras seguem piorando no país

por Raphael Salomão

Aprosoja Brasil

Lavoura de soja nos Estados Unidos. Áreas consideradas ruins e regulares aumentaram (Foto: Aprosoja Brasil)

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) deve reduzir estimativas de produtividade da safra do país no relatório de oferta e demanda deste mês, com divulgação marcada para esta quinta-feira (12/9). É a expectativa do analista de mercado Glauco Monte, da INTL FCStone. Para ele o impacto maior deve ocorrer sobre a soja.
“O próximo relatório vai contemplar praticamente agosto todo, em que houve uma deterioração na soja. O mercado já espera por aperto nos rendimentos”, disse Monte, para quem o USDA deve reduzir também a expectativa de demanda pela oleaginosa, mas manter estoques em nível considerado limite.
Para o milho, a expectativa do analista também é de revisão para baixo das projeções. No entanto, ele afirma que o mercado do cereal deve sofrer menos porque a situação dos estoques americanos é um pouco mais “confortável”.
“Mesmo que tenha uma quebra, vai entrar muito milho no mercado. Pode absorver melhor uma quebra de safra porque os estoques inda estão confortáveis. Na soja, um bushel por acre que seja, já dá algum suporte aos preços”, explica o analista de mercado.

Más condições

Os produtores de soja e milho dos Estados Unidos têm sofrido com o clima desfavorável. Na segunda-feira (9/9), o USDA voltou a mostrar piora nas áreas plantadas no país, embora a maior parte ainda mantenha condições entre boas e excelentes.
Na soja, as áreas excelentes caíram de 11% para 10%; as consideradas boas, de 43% para 42%. Considerando os dois indicadores em conjunto, como são costumeiramente avaliados pelo mercado, ainda há 52% de lavouras em condições satisfatórias.
O único indicador para a soja que ficou estável foi o de lavouras muito ruins, mantido em 4% do total. As áreas consideradas ruins subiram de 11% para 12% e as regulares de 31% para 32%.
No milho, as áreas consideradas excelentes caíram de 14% para 13% e as boas de 42% para 41%. Somados, os dois indicadores ainda mostram 54% de lavouras em condições satisfatórias.
Assim como na soja, o único indicador mantido no caso do milho foi o de lavouras muito ruins, que permaneceu em 5% do total. As ruins passaram de 11% para 12% e as regulares de 28% para 29%.
Em nota divulgada nesta terça-feira (10/9), o analista Rafael Ribeiro, da Scot Consultoria, ressalta que, mesmo com as sucessivas pioras, a atual safra ainda é melhor que a anterior. No entanto, “com o clima quente e seco em algumas regiões produtoras, não estão descartadas revisões nos próximos relatórios”.

Fonte: Globo Rural

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