USDA confirma cenário de estoque ‘folgado’ de grãos

Ainda que o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) tenha reduzido suas projeções para os estoques globais de milho, trigo e soja ao término desta safra 2015/16, as relações entre as reservas e as demandas de cada mercado permaneceram em níveis confortáveis e reforçaram a expectativa de que a pressão sobre as cotações dessas commodities ainda está longe de arrefecer.

A partir das correções efetuadas pelo USDA em relatório divulgado ontem, os estoques finais de milho foram reduzidos para 206,97 milhões de toneladas, quase 1,9 milhão a menos que o estimado em fevereiro. Na comparação, os estoques de trigo caíram 1,28 milhão de toneladas, para 237,59 milhões, e os de soja recuaram 1,55 milhão de toneladas, para 78,87 milhões.

Nos três casos, as reduções foram relativamente pequenas e não foram influenciadas por mudanças previstas para os estoques americanos, o que gerou reações discretas sobre as cotações na bolsa de Chicago. Os papéis de segunda posição de entrega de trigo e soja até subiram ontem, de forma modesta, influenciados por sinais positivos no campo da demanda, mas nada capaz de causar alvoroço. No caso do milho, houve leve recuo.

A queda dos contratos do cereal com entrega em maio foi de 1 centavo de dólar, para US$ 3,5950 por bushel. No trigo, a alta do mesmo vencimento foi de 3 cents, para US$ 4,6825 por bushel, enquanto no de soja houve valorização de 1,25 centavo de dólar, para US$ 8,8575 por bushel. Nos três mercados, são patamares bem inferiores aos de 2014, por exemplo.

Se o dólar forte explica pelo menos parte das quedas em Chicago, já que tira competitividade dos produtos americanos e "força" um reequilíbrio promovido pela baixa dos preços em moeda americana, outra parte da explicação pode ser encontrada nos "fundamentos".

Com os ajustes que efetuou no relatório divulgado ontem, o USDA passou a estimar que os estoques finais de trigo representarão 33,5% da demanda global em 2015/16. No ciclo 2014/15, o percentual ficou em 30,5%, e em 2013/14, quando as cotações estavam mais elevadas, em 27,8%. Particularmente nos EUA, os estoques finais de trigo previstos para o encerramento da atual safra representam 81,6% da demanda total do país.

No tabuleiro do milho, as correções do USDA resultaram em estoques finais mundiais equivalentes a 21,4% da demanda em 2015/16, ante 20,9% em 2014/15 e 18,4% em 2013/14. No da soja, finalmente, os dados de ontem deixaram a relação em 25%, ante 25,8% em 2014/15 e 22,4% em 2013/14.

Diante desses números, traders se voltam para as primeiras perspectivas de plantio nos EUA no ciclo 2016/17 e também não encontram motivos para apostar em altas. Se não houver adversidades climáticas significativas, será outra temporada de cotações baixas.

Por Mariana Caetano, Fernanda Pressinott e Fabiana Batista | De São Paulo
Fonte : Valor

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