Urnas mostram que eleitor rural é fiel – CAMPO ABERTO

Se no cômputo geral o ambiente do primeiro turno foi propício à renovação, no que diz respeito aos parlamentares ligados ao agronegócio o que se manteve foi a fidelidade. Na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, o número de cadeiras de representantes ligados ao setor permaneceu praticamente inalterado. O mesmo vale para a Câmara. O público rural não só reelegeu como "promoveu" candidatos. Marcelo Moraes (PTB) migrou para o Congresso – deixando a mãe, Kelly Moraes (PTB), como substituta. Luis Carlos Heinze (PP), que na eleição passada havia sido o deputado federal mais votado, agora conquistou vaga no Senado com a maior votação entre os postulantes do Estado. Também abriu espaço para Pedro Westphalen (PP), que é de região agrícola e se aproximou do segmento quando esteve à frente da Secretaria dos Transportes do Estado. E por que o meio rural mantém sua aposta nos mesmos nomes em um contexto em que a mudança é amplamente defendida? – Nosso público é muito fiel. Esses representantes têm nosso pensamento, que é o liberal. São contra o tamanho, o peso do Estado. E pelo fato de terem esse alinhamento, evidentemente que a classe os leva de volta – avalia Gedeão Pereira, presidente da Federação da Agricultura do Estado (Farsul). Para ele, além dos parlamentares tradicionais, há outros nomes que ganharam o apoio do agronegócio, como Marceivan Hattem (Novo): – Andou muito no nosso meio e, com o discurso liberal, realmente captou o que buscamos. Presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado (Fetag-RS), Carlos Joel da Silva vê a reeleição de representantes do setor como "um reconhecimento do trabalho": – A bancada da agricultura sempre esteve muito presente. Dois ex-presidentes da entidade, aliás, conseguiram novo mandato: Heitor Schuch, como deputado federal, e Elton Weber, como estadual, ambos pelo PSB. E se na corrida presidencial o setor deixa evidente a aposta em Jair Bolsonaro (PSL), na disputa pelo Piratini a bola ainda está dividida. O fiel da balança poderá ser justamente a conexão com o presidenciável.

MARATONA DE SOLUÇÕES

A criação de soluções para o agronegócio será tema da App Challenge Aegro, hackathon (maratona de programação) que envolverá, no dia 17, estudantes de engenharia da computação, web design e administração de diferentes universidades. O desafio é desenvolver, em oito horas, produto que supere obstáculos da produção: – Queremos fazer ponte entre os desafios dos produtores, que estão muito longe da universidade, e a academia – diz Pedro Dusso, diretor-executivo da Aegro, que promove o evento com o Centro de Empreendimentos em Informática da UFRGS.

PARA FISGAR O COMPRADOR

Terreno fértil para o agronegócio, Dom Pedrito, na Campanha, coloca em pista estratégias para garantir negócios nos remates da primavera. Frete grátis, vendas a preço fixo e índices que projetam o lucro do criador são ferramentas utilizadas na 85ª Farm Show. Os leilões vão de 18 a 28 deste mês. Com oferta semelhante à de 2017 (250 ventres, 450 touros e cem equinos), o presidente do Sindicato Rural, Luiz Augusto Carvalho, estima ser possível alcançar o faturamento de mais de R$ 9 milhões. Para isso, e considerando o ano turbulento para a pecuária, as cabanhas usam diferentes recursos. No Remate Guatambu, Alvorada e Caty, dia 18, haverá oferta adicional com valor pré-fixado. – É uma promoção para facilitar a vida do comprador, tudo dentro do contexto da situação econômica atual – explica Valter Potter, da Estância Guatambu. O índice bioeconômico de aproveitamento de carcaça é outro reforço para o momento das vendas e estará presente nos remates Genética da Campanha, dia 22, e da Agropecuária Quiri, dia 25. Por modelo matemático, é possível calcular o quanto a mais, em reais, os filhos do animal terão de rendimento de carne. – A melhor hora para comprar é agora, porque o preço dos touros não está no patamar que deveria – diz Humberto Jardim, da Rincão da Figura, que participa do Top Braford e Hereford, dia 20.

O PESQUISADOR APOSENTADO

Sebastião Barbosa toma posse hoje como presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em substituição a Maurício Antônio Lopes. Agrônomo, especialista em entomologia, entrou no quadro da Embrapa em 1976.

NO RADAR

A "FIDELIDADE rural" ficou evidente no balanço da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA). De 245 parlamentares, 117 foram reeleitos e permanecem na bancada. No Senado, com a migração de deputados, o percentual é ainda maior. Dos 27 senadores atuantes na frente, 18 permaneceram, cerca de 67%. Na Câmara, dos 218 deputados, 99 foram reeleitos.

MINISTRO DA AGRICULTURA NO GOVERNO DILMA ROUSSEFF, O GAÚCHO NERI GELLER, QUE FEZ A VIDA EM MATO GROSSO, VOLTOU A SE ELEGER DEPUTADO FEDERAL PELO PP. FOI O QUARTO MAIS VOTADO DO ESTADO DO CENTRO-OESTE.

Fonte: Zero Hora