União libera R$ 737 milhões para sustentar preço mínimo para o arroz

MARCELLO CASAL JR/ABR/JC
Mendes Ribeiro (d) anunciou a medida na presença de Santos, da Conab (e), e Pereira, do Irga

Mendes Ribeiro (d) anunciou a medida na presença de Santos, da Conab (e), e Pereira, do Irga

O ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro Filho, anunciou ontem o aporte de R$ 737 milhões para medidas de apoio à comercialização de arroz. Os recursos serão aplicados na venda de 2,02 milhões de toneladas com o objetivo de garantir o preço mínimo do produto pago ao agricultor. No Rio Grande do Sul, maior produtor do País, o preço médio da saca de 50 quilos de arroz no mercado é R$ 24,50, enquanto o preço mínimo estabelecido pelo governo é R$ 25,80.
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) realizará leilões de Prêmio para Escoamento de Produto (PEP) e Prêmio Equalizador Pago ao Produtor (Pepro) para apoiar a comercialização de 1 milhão de toneladas de arroz. Em Aquisição do Governo Federal (AGF) serão 320 mil toneladas e mais 700 mil toneladas em contratos de opção de venda. “Temos muitas questões que precisamos conversar com nosso setor arrozeiro, mas essas medidas vão tranquilizar o setor até o fim do ano”, enfatizou Mendes Filho.
Representantes dos produtores disseram, após o anúncio, que o apoio é importante, mas é preciso resolver o problema da demora entre os lançamentos das medidas e a chegada do benefício aos produtores. “Esse foi o grande erro nos últimos tempos. Precisamos que essa execução ocorra em tempo real. Essa é a angústia do produtor”, disse o deputado Afonso Hamm (PP-RS). O secretário de Política Agrícola do ministério, Caio Rocha, informou que o governo se preocupou em dar mais agilidade na liberação dos recursos. “Nem sempre o nosso tempo é o tempo do produtor. Por isso, o ministro Mendes Ribeiro pediu ao ministro Guido Mantega para que houvesse um processo de agilização.” 
“Esse contempla um anseio dos orizicultores brasileiros ao garantir o preço mínimo”, comemorou o presidente do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), Claudio Pereira. Para Renato Rocha, presidente da Federarroz, o pacote é muito bom e atende as demandas setoriais mais emergenciais.  Segundo ele, os preços estão estabilizados no Rio Grande do Sul e com 25% da safra colhida, o anúncio destas medidas deve impactá-los positivamente. “Esperamos a recuperação das cotações acima do preço mínimo de garantia e um patamar remunerador em 2012/2013, por conta dos estoques mais ajustados”, frisa o dirigente.
Apesar de os recursos do programa serem inferiores aos aplicados no ano passado, governo e produtores dizem que o montante é suficiente para atender ao pleito do setor porque a situação atual é menos crítica. Na safra passada, o preço de mercado do arroz chegou a R$ 18,00 a saca, o que levou o governo a desembolsar R$ 983 milhões no apoio à comercialização de 2,98 milhões de toneladas do produto. A importação de arroz de outros países, que deve chegar a 1,3 milhão de toneladas este ano, é tida como uma das causas para os baixos preços praticados no mercado. Na semana passada, o ministro Mendes Ribeiro se reuniu com o ministro da Agricultura argentino e propôs o estabelecimento de cotas para se buscar um equilíbrio na entrada do produto no país. Atualmente, o Brasil compra cerca de 50% das 850 mil toneladas de arroz que a Argentina exporta.

Fonte: Jornal do Comércio

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