Unidades de fertilizantes da Petrobras serão arrendadas

A Petrobras iniciou oficialmente tentativas para arrendar suas fábricas de fertilizantes nitrogenados (Fafens) em Sergipe e na Bahia. Com isso, a estatal quer pôr fim a um impasse que perdura desde o ano passado. O objetivo é identificar interessados em assumir a operação das "Fafens" e, assim, evitar o fechamento das plantas, que já não fazem mais parte dos planos da petroleira.

A estatal lançou ontem a etapa de pré-qualificação para habilitar eventuais interessados em arrendar as fábricas. Caso o interesse se confirme, a companhia fará uma licitação para escolher o novo operador das Fafens nordestinas.

Inicialmente, a Petrobras pretendia hibernar as Fafens de Sergipe e Bahia devido aos prejuízos com a operação das unidades. O plano de negócios da companhia prevê a saída completa da petroleira do segmento de fertilizantes.

Além de buscar uma solução para as fábricas de Sergipe e Bahia, a empresa tenta vender a Fafen de Araucária (PR) e a unidade de Três Lagoas (MS) – a companhia chegou a iniciar os desinvestimentos, mas os processos foram interrompidos em meados do ano passado depois que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, proibiu a alienação do controle de estatais e suas subsidiárias sem o aval do Congresso.

A companhia anunciou em março do ano passado que pretendia interromper as operações das unidades ainda no primeiro semestre. A notícia pegou as indústrias locais de surpresa e houve então uma pressão política para que a empresa voltasse atrás. De acordo com informações técnicas fornecidas pela Petrobras, as duas fábricas empregam cerca de 1,3 mil pessoas, entre funcionários próprios e terceirizados.

De um lado do impasse, estão os interesses empresariais da Petrobras, que, em 2017, acumulou um prejuízo de cerca de R$ 800 milhões com as duas unidades e não vê mais atratividade econômica em mantê-las em operação.

Por outro lado, o impacto da decisão sobre a dinâmica das economias locais levou governos estaduais e as indústrias que gravitam no entorno das Fafens a pedirem ao então presidente da estatal, Pedro Parente, mais tempo para que se buscassem medidas alternativas para garantir o suprimento de matérias-primas à indústria local. Empresas do setor químico como Braskem, Oxiteno e Unigel utilizam como matéria-prima a amônia e o gás carbônico produzidos pelas Fafens.

Diante do impasse, a data de hibernação foi então postergada para 31 de outubro. Em novembro, o estatal prorrogou o prazo por mais três meses – até janeiro.

Ao mesmo tempo em que busca interessados no arrendamento das unidades, a Petrobras trabalha em conjunto com clientes para garantir o acesso aos insumos a partir de outras regiões do país ou do exterior, caso as Fafens sejam de fato interrompidas.

A unidade de Camaçari (BA), de 1970, tem capacidade para produção de 1,3 mil toneladas por dia de ureia. Já a unidade de Laranjeiras (SE) foi inaugurada em 1982 e produz 1,8 mil toneladas diárias. As duas plantas também comercializam amônia e gás carbônico, entre outros produtos.

Fonte: Valor | Por André Ramalho | Do Rio