Unica prevê quebra da safra de cana em 2017/18

Adversidades climáticas em algumas regiões de produção de cana no Centro-Sul do país nesta safra, aliadas ao baixo nível de investimentos nos canaviais, provocarão "com certeza" uma quebra de safra na próxima temporada (2017/18), que começará "oficialmente" em abril do próximo ano. Foi o que afirmou ontem em São Paulo Antonio de Padua Rodrigues, diretor técnico da União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica), durante a "16ª Conferência Internacional Datagro ".

A perspectiva de que não haverá uma área expressiva com cana que deixará de ser colhida neste ciclo (2016/17) para ser colhida na próxima – a chamada "cana bisada" – deverá ter forte impacto negativo sobre o volume da matéria-prima que será processado em 2017/18, já que a safra atual foi "inflada" por um volume elevado de cana bisada da temporada passada (2015/16).

Pádua estima que cerca de 10 milhões toneladas de cana que estão prontas para serem processadas agora serão colhidas entre fevereiro e março. Mesmo que parte desse volume seja contabilizada como colheita no ciclo 2017/18, o cenário é muito distinto do início da temporada atual, quando as usinas do Centro-Sul moeram 36 milhões de toneladas de cana que sobrou da temporada passado, colhidas em uma área de 40 mil hectares.

"Além disso, o canavial está mais velho", disse Pádua. A falta ou o excesso de chuvas em determinados meses deste ano impediu o plantio de cana em algumas áreas, reduzindo o potencial de renovação. Segundo o diretor técnico da Unica, a cada 0,1 ano que o canavial envelhece, a produtividade agrícola cai 1 tonelada por hectare.

As geadas observadas em alguns polos produtores do Centro-Sul durante o último inverno, que foi mais rigoroso que o de anos anteriores, também fizeram com que algumas usinas e fornecedores cortassem a cana antes do tempo ideal com o objetivo de minimizar o impacto sobre a produtividade das lavouras. Para evitar que esse atraso no calendário tenha impacto sobre a próxima safra, o executivo da Única ressaltou que as usinas precisarão fazer um "bom manejo cultural" para adaptar o novo tempo de rebrota e de crescimento da cana.

Diante desses fatores, mesmo se as condições climáticas forem favoráveis na próxima temporada, Padua não aposta em uma reversão expressiva desse quadro. "Excelentes condições de clima podem amenizar a quebra".

Para o ciclo atual, ele reforçou que a moagem deverá alcançar o patamar mais baixo das previsões iniciais da Unica – da ordem de 605 milhões de toneladas – diante da perda de produtividade na maior parte dos polos produtivos, principalmente em Goiás. No Estado, algumas plantações chegaram a ser prejudicadas por geadas que normalmente não são registradas.

Apesar da menor disponibilidade de cana, os analistas acreditam que a produção de açúcar deverá ser poupada, já que as usinas deverão aumentar o uso da cana para a produção da commodity.

Em projeções divulgadas ontem, o banco Santander estimou que o preço do açúcar, que deverá ser o principal direcionador da decisão das usinas, deverá ficar, em média, em 19,50 centavos de dólar a libra-peso na bolsa de Nova York nesta safra 2016/17 e em 18 centavos de dólar a libra-peso na próxima temporada.

Por Camila Souza Ramos | De São Paulo

Fonte : Valor

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *