Uma ouvinte paciente, mas centralizadora

De pecuarista em Tocantins a deputada e senadora, da oposição até compor o governo, Kátia Abreu trilhou uma trajetória que a credenciou como principal liderança do setor agropecuário no país e, já ministra, porta-voz de vários segmentos do agronegócio que se diziam mal representados em gestões passadas.

Considerada uma ouvinte paciente das demandas de associações de produtores e das agroindústrias, em quase sete meses Kátia já dá pistas de seu jeito de fazer política: centralizadora para uns, ativa para outros, na essência busca atrair para si o maior apoio político possível de parlamentares, empresários e, principalmente, da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), entidade que presidiu por oito anos. Nos primeiros meses à frente do cargo, inclusive, já teria cobrado apoio da CNA.

Seguindo orientações da presidente Dilma Rousseff de ser uma ministra que não se restringe ao lançamento anual do Plano Safra, Kátia já convenceu sua chefe, de quem é amiga pessoal, a lançar no Planalto três planos de sua área, assinar um decreto de reestruturação do ministério e ainda determinar à Fazenda que liberasse verbas atrasadas para subvenção ao seguro rural.

Considerada por muitos como um dos poucos ministros aptos a entregar uma agenda positiva nesse governo Dilma, em poucos meses Kátia já angariou o apoio de ampla maioria da poderosa bancada ruralista do Congresso Nacional, ajudou a eleger seu filho, o deputado federal Irajá Abreu (PSD-TO), como presidente da Comissão de Agricultura da Câmara, e participa de reuniões de coordenação política no Planalto, função incomum para um ocupante do seu posto.

Por Cristiano Zaia | De Brasília
Fonte : Valor

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