Uma janela de três anos para vender aos chineses

Além da Arábia Saudita, a rotina de Patricio Rohner, vice-presidente internacional da BRF, tem sido bastante consumida pela China, país estratégico para as pretensões da companhia brasileira no mundo.

Desde o início deste ano, o executivo argentino, que iniciou a carreira como vendedor da Sadia em Buenos Aires, responde também pelos negócios da BRF fora do Brasil, e não apenas no mundo muçulmano, como era até então.

Nesse processo, a China ganhou em importância para o executivo e para a BRF. No mês passado, o país asiático assumiu liderança no ranking dos principais importadores da carne de frango brasileira, desbancando ninguém menos que os tradicionais parceiros sauditas, de acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), entidade que representa as agroindústrias.

No caso da China, o que tem chamado a atenção de Rohner é o surto de peste suína africana, que dizimou parcela relevante do plantel do país asiático. Cerca de 1 milhão de animais já foram sacrificados.

Ao Valor, Rohner ressaltou que a doença deixou de afetar apenas o preço da carne suína exportada pelo Brasil – a BRF é a maior agroindústria processadora de suínos do país -, e já se traduz em demanda mais firme tanto por carne suína quanto por carne de frango.

Dada a relevância da China no tabuleiro mundial da carne suína, com cerca de 50% do consumo total, não será possível abastecer a demanda de importações do país apenas com esse tipo de carne.

As últimas estimativas, como as do Rabobank, apontam para uma queda de 20% na produção chinesa de carne suína em 2019. De acordo com Rohner, a demanda do país asiático deverá ser maior que o normal por ao menos "três anos". Diante disso, ele considera inevitável que Pequim habilite mais frigoríficos do Brasil à exportação, ainda que a última tentativa dos frigoríficos brasileiros nesse sentido tenha fracassado, como já informou o Valor.

Por Luiz Henrique Mendes | De São Paulo

Fonte : Valor

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