Um mercado de 21 milhões de litros

Vendido até 31 de julho e usado nas lavouras de café, cana, algodão e soja, o princípio ativo endossulfam movimentava um mercado estimado em 21 milhões de litros por ano. O produto era comercializado, em média, por R$ 13 o litro no varejo. O Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Agrícola (Sindag) não informa a receita que era gerada pelo ativo, apenas que o valor estava incluído nos US$ 2,944 bilhões gerados por todo o segmento de inseticidas no país em 2011.

A Nufarm, multinacional de capital australiano, comercializava o endossulfam no Brasil e o produzia em uma fábrica no Ceará. Ele representava cerca de 10% do faturamento da empresa no Brasil, de acordo com Valdemar Fischer, presidente da múlti na América Latina. Fischer afirma que houve forte pressão sobre as autoridades regulatórias do Brasil para proibir o princípio ativo e que "infelizmente houve a proibição sem alternativas viáveis dos pontos de vista econômico e técnico".

A Nufarm encerrou a fabricação do endossulfam no país no ano passado, conforme resolução da Anvisa que previa prazos para uma redução gradativa da produção da substância até o cancelamento total, em 31 de julho. Já era difícil encontrar o produto no mercado no ano passado e, segundo o diretor Luís Henrique Rahmeier, não há mais estoques, pois as três ou quatro empresas fabricantes não queriam correr o risco de ficar com estoque e sem a possibilidade de reexportar o produto.

A unidade industrial da Nufarm que produzia o endossulfam foi readequada para fabricar outros defensivos, cujo mercado total vem crescendo nos últimos anos. A empresa também produz outro produto que pode ser utilizado para o controle da broca, mas ele custa de cinco a seis vezes mais que o endossulfam, com eficiência de aproximadamente 60%, de acordo com Rahmeier.

O custo de duas a três aplicações de endossulfam nas doses recomendadas varia de R$ 100 a R$ 150 por hectare, com 90% de eficiência no controle da broca. "Nenhum produto tem o custo-benefício do endossulfam", afirma. Para ele, o endossulfam tinha grau de controle elevado e, se usado corretamente, é seguro para o ambiente. (CF)

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Fonte: Valor | Por De São Paulo

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