Um gerente na Agricultura

Fonte:  Globo Rural

Estreante no meio rural, o advogado Jorge Alberto Mendes Ribeiro Filho assumiu, em agosto, o Mapa. Bem ao estilo Dilma Rousseff, ele diz que o ministério tem uma estrutura antiga e precisa de "gerenciamento"

por Luciana Franco

Editora Globo

Jorge Alberto Mendes Ribeiro Filho foi deputado federal pelo PMDB por cinco legislaturas

Globo Rural > Quais são suas primeiras ações como ministro da Agricultura?
Jorge Alberto Mendes Ribeiro >
Tenho consciência das dificuldades do ministério. A estrutura é antiga e deve ser repensada, precisamos de gerenciamento. Vou nomear um técnico como secretário executivo que terá como função estruturar, com o ministro e sua equipe, um ministério ágil e eficiente. Nosso objetivo é garantir a renda do produtor e, para isso, é preciso ouvir e dialogar. Teremos como desafios permanentes a defesa sanitária, a busca por mais recursos, com garantia de preço mínimo, e a viabilização de um seguro agrícola eficaz.
GR > O senhor acredita que a atual crise global deve gerar impacto nos preços das commodities?
Mendes Ribeiro >
A diminuição da atividade econômica e da renda nos Estados Unidos e na Europa poderá causar reduções nos preços das commodities, mas não acredito que isso possa impactar a situação financeira de nossos produtores. O Brasil não depende mais de um único mercado, como no passado. A China, principal parceiro comercial, deverá manter a boa performance econômica. Os estoques mundiais de alimentos ainda estão em níveis reduzidos. Além disso, acredito que o mercado interno continuará forte.
GR > Qual é sua visão do agronegócio brasileiro?
Mendes Ribeiro >
Ele é referência no mundo todo por sua eficiência e produtividade, resultado da extraordinária capacidade produtiva e da criatividade de nossos agricultores e pecuaristas. Nosso agronegócio gera emprego e renda para o Brasil. É, sem dúvida, um dos principais caminhos para equacionarmos as desigualdades do país. Por tudo isso, precisamos de políticas direcionadas às especificidades de cada setor e cada vez mais modernas e ágeis.
GR > Logo após sua posse, o senhor se reuniu com lideranças do MST. Com avalia que devem ser resolvidos os conflitos no campo?
Mendes Ribeiro >
Recebi diversas lideranças de pequenos produtores. Não tratamos de conflito, tivemos uma agenda positiva. Os trabalhadores apresentaram demandas, como o fortalecimento do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) da Conab, o apoio ao cooperativismo e a estruturação de uma política de pesquisa e transferência de tecnologia para a agricultura camponesa e assentamentos. Recebi a pauta e vou analisar ponto por ponto. Política agrícola tem de atender quem nada tem. Reitero que temos de aumentar a renda no campo, principalmente a dos pequenos.
GR > O Brasil é competitivo no campo, mas perde parte dessa competitividade por conta de problemas logísticos. Qual é a solução para o transporte da safra brasileira?
Mendes Ribeiro >
A solução está na intermodalidade. O transporte rodoviário é inadequado para o escoamento da produção agrícola. Carências de infraestrutura são questões típicas de países jovens e dinâmicos como o Brasil. As grandes obras em andamento no âmbito do PAC resolverão nossos principais gargalos no escoamento, mas é importante destacar que pequenas e médias soluções de logística vêm sendo viabilizadas pela iniciativa privada e pelo poder público nas esferas municipal, estadual e federal.

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