UFSM busca recursos para laboratório de análise da qualidade do leite

No local, será possível verificar se o produto está puro ou teve adição de substâncias estranhas

por Juliana Gelatti

UFSM busca recursos para laboratório de análise da qualidade do leite Photo Rack/Divulgação

Laboratório poderá verificar a composição do leite e a qualidade do produtoFoto: Photo Rack / Divulgação

Professores da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) vêm trabalhando, desde 2012, em um projeto que, quando sair do papel, será a garantia de qualidade do leite produzido na Região Central. O que impede o investimento é a dificuldade em conseguir recursos para a compra dos equipamentos, bastante específicos e caros.

A ideia é montar um laboratório capaz de analisar 400 amostras de leite por hora, certificando a qualidade e classificando o produto conforme os nutrientes e substâncias presentes. No sábado, o reitor da instituição, Paulo Burmann, falou sobre o projeto ao governador Tarso Genro.

Orçado em R$ 1,5 milhão, o projeto do laboratório inclui a compra de um equipamento capaz de analisar a composição do leite, outro que investigaria a qualidade microbiológica e pequenas reformas no prédio do Centro de Ciências Rurais (CCR), além de outros equipamentos associados aos maiores.

Entre outras funções, nesse laboratório seria possível detectar, em larga escala, a presença de substâncias estranhas no leite produzido na Região Central.

— Hoje, ocorrem discussões sobre a qualidade do leite porque o intermediário entre o produtor e a indústria é o freteiro. O nosso laboratório ficaria nessa etapa intermediária, garantindo a qualidade tanto para o produtor, quanto para a indústria. E, indiretamente, para os consumidores — afirma a professora do departamento de Tecnologia e Ciência dos Alimentos, Neila Richards. Junto com ela, trabalham no projeto os professores Agueda de Vargas, Mara Rubin e Geder Paulo Herrmann.

Atualmente, os laboratórios do CCR podem fazer parte dessas análises, e em escalas muito pequenas. Com o novo laboratório, seria possível receber amostras enviadas pelos produtores, que teriam o resultado da análise em poucos minutos, por celular.

Outras possibilidades que estão sendo estudadas para o funcionamento do laboratório é que estudantes bolsistas façam a coleta nas propriedades rurais ou, a caminho da indústria, o caminhão carregado de leite vá até o laboratório, encaminhe uma amostra para análise e siga viagem quando o resultado for liberado.

O projeto da UFSM já foi submetido a um edital do governo do Estado para concorrer à verba, mas não foi contemplado por não apresentar caráter inovador. O secretário estadual de Agricultura, Claudio Fioreze, manifestou apoio político a este e a outros projetos da UFSM, como o de construir uma nova usina de laticínios no campus.

— Devemos nos reunir ainda neste mês com a reitoria para tratar de um convênio entre a universidade, secretaria e Instituto Gaúcho do Leite (IGL), e para buscar recursos para a usina junto ao governo federal. Por enquanto, a secretaria não tem verba para o laboratório, mas, no futuro, o próprio IGL poderá investir em projetos como este — diz Fioreze, ressaltando que existem laboratórios de análise do leite apenas em Passo Fundo, Lajeado e Pelotas.

Fonte: Zero Hora

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