Ucrânia puxa embarques brasileiros de carne suína

Impulsionadas por um "surpreendente" desempenho dos embarques para a Ucrânia, as exportações brasileiras de carne suína renderam US$ 121,01 milhões em março, crescimento de 3,02% sobre o mesmo período do ano passado, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados pela Abipecs, entidade que representa os produtores e exportadores do setor. Em março, foram embarcadas 47,3 mil toneladas do produto, incremento de 6,93% sobre o mesmo mês de 2011.

Principal destino das exportações brasileiras em março, os embarques para a Ucrânia saltaram 301%, para 11,9 mil toneladas, e renderam US$ 31,57 milhões, um crescimento de 255,7%. "A Ucrânia surpreendeu, comprando acima do que se esperava", reconheceu Pedro de Camargo Neto, presidente da Abipecs. "Mas [o crescimento] das exportações é resultado de sacrifício das empresas, que estão vendendo barato", afirmou.

Apesar do avanço dos embarques de carne suína, Camargo Neto ressaltou ainda que persistem as dificuldades impostas pela Rússia, que mantém o embargo a diversas unidades exportadoras de carne, e pela Argentina. "Embora tenha voltado a comprar de quatro estabelecimentos brasileiros, a Rússia continua com baixo desempenho nas nossas exportações: metade do que comprou no ano passado", afirmou. "As restrições aos embarques para a Argentina continuam sem solução".

No caso da Rússia, terceiro maior comprador de carne suína brasileira, as exportações somaram 8,2 mil toneladas e renderam US$ 25,83 milhões. Trata-se de uma queda de 47,97% em volume e de 46,89% em valor. Já os embarques para o país vizinho recuaram 87% em volume, para 427 toneladas, e 85,8% em valor, para US$ 1,32 milhão.

No acumulado do ano, as exportações de carne suína do país também cresceram. Entre janeiro e março, foram embarcadas 122,2 mil toneladas, volume 3,45% superior ao primeiro trimestre do ano passado. Contudo, a receita avançou apenas 0,7%, para US$ 313,3 milhões, limitada pela retração de 2,6% no preço médio da mercadoria.

A retração dos preços pagos pela carne suína no exterior, explica Camargo Neto, tem no mercado doméstico um dos principais fatores de pressão. Por causa do ritmo mais fraco da demanda interna, o preço do suíno vivo fechou o mês de março no menor patamar desde setembro de 2011, apontou boletim divulgado ontem pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Em São Paulo, o indicador Cepea/Esalq para o suíno vivo recuou 20% em março, cotado, em média, a R$ 2,44 o quilo.

E o preço pago pelo suíno pode cair ainda mais, afirmou o presidente da Coopercentral Aurora, Mário Lanznaster. Na avaliação dele, começo de ano é sempre um período mais difícil para os negócios por conta do verão, que faz com que o consumidor prefira outras carnes, mais leves. "Mas este início de ano está um pouco pior porque em março e neste começo de abril ainda há estoques de carnes de fim de ano no varejo", afirmou.

Para Lanznaster, há um excesso de carnes no mercado nacional, potencializado pelas vendas externas mais fracas em importantes mercados como os da Rússia e da Argentina.

Fonte: Valor | Por Luiz Henrique Mendes e Vanessa Jurgenfeld | De São Paulo e Florianópolis

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