Turra defende mudanças na produção agrícola gaúcha

ANA PAULA APRATO/JC

Presidente da Ubabef expôs cenário na Assembleia

Presidente da Ubabef expôs cenário na Assembleia

O presidente da União Brasileira da Avicultura (Ubabef), Francisco Turra, afirmou que o Rio Grande do Sul precisa de mudanças na produção primária. Para ele, é absurdo que todo ano sobre arroz no Estado e falte milho para a ração de aves e suínos. “A lavoura consolidada na várzea pode produzir milho, existem espécies resistentes à umidade”, afirmou o ex-ministro na palestra que abriu os trabalhos do projeto Radiografia da Agropecuária Gaúcha, na Assembleia Legislativa.

Ele citou diversos investimentos anunciados e não concretizados por empresas avícolas nas últimas décadas para exemplificar a perda de espaço do setor primário gaúcho na economia nacional. “Se duvidam, olhem a situação da Doux Frangosul. Estou na torcida para que alguém assuma a operação, seja a JBS ou outro grupo”, disse ao mostrar que o Rio Grande do Sul foi o único estado brasileiro com redução na exportação de frango. Segundo dados da Secex, entre 2010 e 2011, o volume vendido ao exterior pelo Estado caiu 7,1%, enquanto as exportações totais do Brasil subiram 3,2%. No primeiro trimestre desse ano, a balança comercial da avicultura também apresenta retração nos números gaúchos. De janeiro a março de 2012 os embarques foram 0,4% menores que no mesmo período do ano anterior.

Outra recomendação feita por Turra aos deputados – que pretendem usar os dados levantados para a construção de políticas públicas setoriais – foi o investimento na agregação de valor aos produtos do campo. Ele lembrou que, em uma feira em Dubai, acompanhou suinocultores brasileiros que basicamente ofereciam cortes da carne e, em outro estande, encontrou empresas espanholas ofertando mais de 300 subprodutos da suinocultura, entre os quais o destaque era o valorizado presunto montanhês Pata Negra.

O presidente a Associação de Criadores de Suínos do Rio Grande do Sul (Acsurs), Valdecir Folador, destacou que as agroindústrias precisam chamar para si essa responsabilidade por diversificar a produção e, assim, conseguir amortecer os efeitos das oscilações de mercado. Na avaliação dele, atualmente as empresas repassam todos os efeitos das crises para os produtores que acabam sem capacidade de reinvestir nas granjas. “Com o pouco que sobra eles precisam fazer uma escolha entre melhorar a produção ou sustentar a família. Precisamos saber se as indústrias têm resultados ruins por questões de mercado ou por razões administrativas. Da porteira para dentro, tudo o que se pediu até hoje, como sanidade e qualidade, está lá”, disse ele.

Já o secretário-adjunto da Agricultura, Cláudio Fioresi, afirmou que todos os dados levantados pela Assembleia Legislativa sobre a produção agropecuária serão usados na construção de uma política agrícola estadual, que deve ter o peso de uma política de Estado (e não de governo) e indicar caminhos para que gargalos (como a escassez de milho barato) sejam superados a médio e longo prazo. “Precisamos ir além do plano safra”, disse ele, ao prever o lançamento da política para breve.

Fonte: Jornal do Comércio | Clarisse de Freitas

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