Turquia eleva aversão a risco e afeta commodities na bolsa

A aversão a riscos que tomou conta do mercado financeiro ontem após a piora da crise na Turquia contaminou as negociações de commodities agrícolas na bolsa de Nova York. Ativos que já vinham sendo pressionados por fundamentos e pela atuação de fundos tiveram sua desvalorização catalisada pela situação macroeconômica incerta.

"A crise na Turquia fez o mercado internacional buscar ativos mais sólidos, tornando o dólar mais demandado e gerando um efeito inversamente proporcional para as commodities", afirmou Maurício Murici, analista da Safras & Mercado.

O açúcar foi fortemente afetado. Os contratos com vencimento em março fecharam a 11,34 centavos de dólar ontem em Nova York, com queda de 16 pontos. Já os papéis mais negociados, com entrega para outubro, fecharam no menor valor desde 2008, cotados a 10,3 centavos de dólar, com baixa de 24 pontos.

Bruno Lima, da FCStone, observou que o atraso na fixação do açúcar pelas usinas do Centro-Sul do Brasil já tende a pressionar os preços. A FCStone calcula que menos da metade do açúcar para outubro tenha sido fixado ante mais de 75% no ano retrasado, quando os preços estavam em alta.

O algodão também sofreu com a aversão a riscos ontem na bolsa. O contrato com vencimento em dezembro fechou a 82,76 centavos de dólar a libra-peso, retração de 247 pontos, após bater o suporte técnico de 82,01 centavos de dólar. No caso do algodão, pesaram ainda o relatório do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), divulgado sexta-feira, e a guerra comercial entre EUA e China, disse Elcio Bento, também da Safras & Mercado. Segundo ele, a crise na Turquia potencializou o pessimismo com os preços gerado após o USDA apontar produção e estoques acima do esperado nos EUA.

"Como o mercado não conseguiu manter a tendência de queda e fechar na mínima do dia, é possível que ele corrija parte desse tombo nos próximos dias", disse Bento. No ano, o algodão ainda acumula alta de 380 pontos.

Bastante influenciado pela atuação de fundos, o suco de laranja também caiu diante do pessimismo. Os papéis com vencimento em novembro fecharam a US$ 1,5985 a libra-peso, queda de 350 pontos. Segundo Gabriel Elias, trader da XP Investimentos, a tendência é de continuidade da aversão a riscos, o que deve conferir maior volatilidade ao mercado.

Por Cleyton Vilarino | De São Paulo

Fonte : Valor

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