‘Títulos verdes’ podem reduzir custo do crédito rural, diz Mapa

De acordo com secretário do Ministério da Agricultura, Brasil precisa avançar no tema, já que em 2019 o país emitiu 0,5% do total de ‘green bonds’ no mundo; pasta cria plano de incentivo, mas salto nas contratações deve ocorrer apenas em 2021

26 de julho de 2020 às 20h35
Por Bruno Amorim, de Brasília

O potencial de investimentos a partir de títulos verdes para o agronegócio brasileiro foi o tema do programa Direto ao Ponto deste domingo, 26. O secretário adjunto de Política Agrícola do Ministério da Agricultura (Mapa), José Ângelo Mazzillo Júnior, foi o convidado da edição. Ele destacou a parceria firmada entre o Mapa e a CBI (Climate Bonds Iniciative) que resultou no lançamento do Plano de Investimento para Agricultura Sustentável.

O secretário entende que a certificação proporciona ao produtor acesso ao crédito com taxas de juros mais baixas e aumenta a rentabilidade da propriedade. No caso do investidor, esse modelo também é vantajoso porque provoca um impacto positivo ambiental e social.

“Cabe ao produtor rural contratar uma certificadora em que o investidor acredite, que faz uma revisão da gestão da propriedade e corrige a ineficiência nesse processo. Nós queremos abrir nossa agricultura para que o investidor privado se entenda com o agro”, disse Mazzillo Júnior.

O plano foi elaborado com objetivo de incentivar o mercado de títulos verdes (green bonds) para o setor para estimular a adoção de tecnologias sustentáveis no país. O programa também quer atrair novos investidores estrangeiros com foco nas fontes de financiamento do agro brasileiro. “O ministério assinou com a maior certificadora do mundo e a certificação é o principal gargalo do setor. Além disso, nós vamos começar a nos aproximar dos investidores”, afirmou o representante do Mapa.

No entanto,  Mazzillo Júnior acredita que as contratações pelo plano de investimento só devem acontecer em maior volume no próximo ano. Até lá, os produtores terão de se adaptar a esse mercado e isso poderá acarretar custos extras.

“O produtor rural, que vai captar dinheiro do investidor, que está interessado na sustentabilidade, vai poder mostrar seu selo de sustentabilidade e dizer: ‘Olha, pode investir em mim que eu tenho a certificação que te atende’. Mas, para tê-la, o produtor vai precisar investir”, disse.

Mazzillo Júnior ressaltou que o Brasil é uma potência agroambiental, mas ainda precisa avançar na emissão de títulos verdes. “As emissões em 2019 foram 0,5% do total de green bonds no mundo. A nossa agricultura é verde, o país tem ativos ambientais enormes. É só uma questão de acelerar esse processo e que só vai beneficiar o nosso agro, a economia do país”.

Saiba mais

Os chamados green bonds são títulos de dívida emitidos por empresas e produtores que foram adquiridos por investidores e utilizados para direcionar recursos em projetos com benefícios ambientais. Em novembro de 2019, o Ministério da Agricultura e a CBI assinaram um acordo de cooperação técnica para a promoção das finanças verdes na agropecuária brasileira. Títulos como Cédula de Produto Rural (CPR), Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) e Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) poderão ser emitidas com a chancela verde.

Fonte: Canal Rural

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