Três Passos vive ‘operação de guerra’

Na região noroeste do Rio Grande do Sul, a mais atingida pela seca no Estado, a prefeitura da pequena cidade de Três Passos, com 24 mil habitantes, já não sabe se conseguirá pagar em dia os salários dos seus 650 servidores nos próximos meses. Segundo o prefeito, Cleri Camilotti, poderá faltar dinheiro em agosto ou setembro para a folha bruta mensal de R$ 1,7 milhão, porque desde dezembro o município vem gastando mais de R$ 500 mil por mês para levar água todos os dias para 350 famílias da zona rural.

O orçamento de Três Passos para 2012 é de R$ 40,4 milhões, mas os gastos extraordinários com distribuição de água já consumiram a arrecadação de IPTU, que aumenta no início do ano e normalmente dava uma folga para as contas do município, diz o prefeito. De acordo com ele, as despesas para combater a seca incluem o pagamento de horas extras aos servidores, combustível e manutenção para os seis caminhões-pipa da prefeitura e a abertura de bebedouros para os animais.

"É uma operação de guerra", diz o prefeito, que destacou 150 funcionários das secretarias de Agricultura e Transportes para cuidar do socorro diário à população mais afetada pela seca. A zona central da cidade é abastecida pela Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan), enquanto no interior do município 2,5 mil famílias dependem de 52 poços artesianos e seis deles já secaram. "Já tivemos secas fortes antes, mas a água nunca havia sumido do subsolo", comenta Camilotti.

A prefeitura decretou situação de emergência em 20 de janeiro e um mês depois recebeu um socorro de R$ 51,9 mil do governo estadual para compra de cestas básicas, óleo diesel e caixas d’água para abastecer os moradores. Mas a ajuda já acabou e Camilotti conversou sobre a crise com a Casa Civil do governo estadual e com a própria ministra da Casa Civil do governo federal, Gleisi Hoffmann, há cerca de duas semanas em busca de mais ajuda.

Conforme Camilotti, mais de 90% da renda que circula em Três Passos tem origem na agropecuária e os produtores atingidos pela seca "pararam de gastar" diante das previsões que incluem uma quebra de 70% na produção de soja em relação às estimativas iniciais. Os reflexos já começam a aparecer no comércio local, que emprega cerca de 1,6 mil pessoas com carteira assinada e deve começar a demitir "daqui a uns dois meses", lamenta o prefeito. (SRB)

Fonte: Valor | Por De Porto Alegre

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