Trigo terá a maior área plantada desde 2014

Bom preço dos grãos e necessidade de recuperar perdas do verão incentivam produtor a apostar na safra de inverno

A necessidade de recuperar prejuízos devido à estiagem na safra de verão e os bons preços de cotações dos cereais está incentivando os agricultores do Rio Grande do Sul a investir nas culturas de inverno. No caso do trigo, maior lavoura da estação, esses fatores devem contribuir para que a área plantada passe de 900 mil hectares nos municípios gaúchos, um número que não era alcançado desde 2014.

De acordo com levantamento feito pela Emater em 286 municípios do Estado, a previsão é de que os agricultores gaúchos deverão plantar 1,3 milhão de hectares com grãos de inverno (trigo, cevada, canola e aveia-branca) nesta safra, o que representa um crescimento de 14,84% ante 1,132 milhão de hectares semeados em 2019. O maior crescimento se dará justamente no trigo, com um aumento de 20,34%, passando de 760.914 hectares, no ciclo passado, para 915.712 neste ano.

Com esse aumento, o trigo está revertendo um processo de redução de área que vinha desde 2014, devido a sucessivos problemas climáticos que afetaram a produção, assim como preços baixos e competição com produto importado.

"Acreditamos que esse aumento possa se consolidar e ser mantido, à medida que os produtores estão investindo e aplicando tecnologia nas lavouras de inverno", afirma o diretor técnico da Emater, Alencar Paulo Rugeri.

No momento, a Emater prevê uma produção de 2.189.837 toneladas de trigo no Estado, tendo em vista uma tendência de produtividade média de 2.391 quilos por hectare. No entanto, os números são baseados em médias das últimas safras e devem mudar à medida que o desenvolvimento da cultura avançar.

Concentrado nas regiões de Santa Rosa, Ijuí e Frederico Westphalen, no Noroeste do Estado, o plantio do trigo neste ano também está retornando à Metade Sul. A região da Emater de Bagé, que abrange municípios da Campanha e da Fronteira-Oeste, deverá ter um crescimento de 65% na cultura neste ano, passando dos 48 mil hectares registrados em 2019 para 79 mil nesta safra.

Em relação a outras produções, a canola se estabelece como importante cultura no Rio Grande do Sul, com previsão de 34.444 hectares (6,55% a mais do que na safra passada, que foi de 32.326 hectares), em especial nas regiões de Ijuí e Santa Rosa, com incentivos de empresas que usam o óleo do vegetal. Apesar da grande variação nas produtividades nos últimos anos, a expectativa para esta safra é de uma produtividade de 1.243 quilos de canola por hectare.

Na aveia-branca, o Rio Grande está se consolidando com o objetivo de produção de grãos, com acréscimo de 6,31% de área, "o que é motivo de alegria", ressalta o diretor técnico. Com produtividade média de 2.051 quilos por hectare, o Estado deverá ter uma produção de 634.908 toneladas, concentrada na Metade Norte do Estado.

Já na cevada, a Emater prevê uma queda de 14,45% na área plantada, diminuindo de 47,5 mil hectares para 40,7 mil hectares. A cultura registra variação de produtividade nas últimas safras, e a expectativa, para este ano, é de 2.498 quilos de cevada por hectare.

A aveia-preta grãos tem uma expectativa de cultivo em 237.469 hectares, 4,46% a menos do que na safra passada, de 248.566 hectares, sendo as principais regiões produtoras Santa Rosa e Ijuí. Entre as regiões produtoras, a de Soledade apresenta para esta safra um aumento de 133,77% na área cultivada, passando de 320 hectares com aveia-preta grãos na safra passada para 748 hectares como estimativa para esta safra.

Fonte: Jornal do Comércio

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