Trigo é apontado como alternativa para ração

Participantes de fórum entendem que grão cultivado no inverno pode entrar na alimentação animal

Teresinha Marisa Bertol, da Empraba, participou de explanação sobre cereais nessa quarta

Teresinha Marisa Bertol, da Empraba, participou de explanação sobre cereais nessa quarta | Foto: Guilherme Almeida

O uso de cereais de inverno na alimentação de suínos e frango de corte pautou o Fórum da Cultura do Trigo nessa quarta-feira, no auditório Central da Expodireto. Os palestrantes alertaram para o déficit na produção de milho para o consumo animal e defenderam a necessidade de ampliação das lavouras de trigo como alternativa sustentável.

Para a pesquisadora Teresinha Marisa Bertol, da Embrapa, o trigo pode suprir o déficit de milho, que chega a quase 5 milhões de toneladas se somadas às necessidades do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. “A inclusão do trigo na alimentação animal é técnica e economicamente viável desde que sejam feitos ajustes nutricionais. Há um mercado potencial expressivo. Em outros países, como a Rússia, o trigo contribui com 60% na alimentação de suínos. Os maiores desafios são a produção, organização do mercado e a logística”, afirmou.

O agrônomo Airton Spies, administrador do Fórum do Trigo, destacou que não vai faltar mercado para o trigo na região Sul do Brasil. “Os cereais de inverno são aprovados no mundo para ração. Não há problema técnico para o uso no consumo animal”, reiterou. O fórum também apresentou os resultados do Ensaio de Cultivares em Rede. O estudo publicado pela Fundação Pró-Sementes, realizado com apoio do Sistema Farsul, revela o impacto da escolha da cultivar de trigo mais apropriada para diferentes regiões.

“Temos muita variação entre as regiões, por isso é importante ter um olhar atento para a cultivar que tem um desempenho consistente em uma determinada zona. A cada ano, as empresas têm se empenhado para desenvolver cultivares com novas propriedades, resistentes a diferentes condições climáticas, por isso é importante analisar a evolução delas”, ressaltou Kassiana Kehl, gerente de Pesquisa e Desenvolvimento da Fundação Pró-Sementes. Conforme Kassiana, a variação entre cultivar a de melhor e pior rendimento em um único hectare pode resultar em uma diferença de R$ 1.476 no bolso do produtor.

Por Halder Ramos

Fonte : Correio do Povo