Trigo americano enfrenta forte concorrência russa

Os exportadores americanos de trigo estão enfrentando forte concorrência da oferta russa e deverão embarcar nesta safra 2018/19 um volume menor do que o estimada até o momento pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), apesar do bom volume encomendado pelo Egito à Cargill na semana passada. A avaliação é de Roberto Sandoli, analista da consultoria INTL FCStone.

O USDA projeta que os EUA exportarão nesta temporada 27,9 milhões de toneladas. Para que essa previsão seja alcançada, o país já deveria ter embarcado 15,25 milhões de toneladas, calcula a consultoria. Porém, desde o início da safra americana de trigo (1º de junho) até 18 de outubro, foram 12,56 milhões de toneladas. Esse ritmo fraco das vendas tem exercido pressão sobre as cotações do cereal na bolsa de Chicago.

Segundo Sandoli, a Rússia está exportando trigo por preços mais competitivos neste ano, o que tem dificultado a competitividade do produto dos Estados Unidos. Ele avalia que o volume de trigo exportado pelos americanos pode nem atingir a média das últimas cinco safras, que foi de 25,5 milhões de toneladas.

Maior produtora e exportadora mundial do cereal, a Rússia deverá produzir menos trigo nesta safra do que na temporada passada por causa de problemas climáticos, que também afetaram a qualidade. Para o USDA, a Rússia deverá colher 15 milhões de toneladas a menos neste ciclo do que no anterior, quando foram produzidas 85 milhões de toneladas. No entanto, a retração não deve prejudicar as exportações.

A desvalorização do rublo ante o dólar estimula os exportadores, e a perspectiva é que a Rússia pelo menos repita o nível de exportação da safra passada. Diante deste cenário, houve especulações sobre uma eventual interferência do governo russo para limitar as exportações e garantir a oferta no mercado doméstico. Porém, diante desta possibilidade, os exportadores decidiram apertar o passo e acelerar os embarques.

Atualmente, a Rússia tem embarcado cerca de 1 milhão de toneladas de trigo por semana. "Se continuarem nesse ritmo, o saldo exportável deles deverá terminar em dezembro ou janeiro", avalia o analista da FCStone. Quando esse saldo se esgotar, acredita, os importadores deverão se voltar para as ofertas dos Estados Unidos e da Argentina.

Por Camila Souza Ramos | De São Paulo

Fonte : Valor

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