"Trapaça" atrasa reabertura da Rússia a carnes do Brasil

Ruy Baron/Valor

Novacki, do Ministério da Agricultura: investigação é uma "pedra" no caminho

O secretário-executivo do Ministério da Agricultura, Eumar Novacki, admitiu ontem que a Operação Trapaça, terceira fase da Carne Fraca, deverá retardar a reabertura pela Rússia dos mercados das carne suína e bovina. Em dezembro, Moscou embargou os produtos do país.

"Não há dúvida de que surge mais uma pedra no caminho", disse em entrevista na sede da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), em São Paulo.

Nesse cenário, Novacki evitou prever um prazo para a reabertura. Quando os russos anunciaram as restrições, o governo brasileiro e os exportadores do país esperavam reverter a situação até fevereiro, o que não ocorreu. O atraso afeta principalmente a suinocultura. No ano passado, a Rússia comprou 40% da carne suína exportada pelo Brasil.

Novacki lembrou que o embargo reflete o interesse de Moscou na abertura do mercado brasileiro para a carne bovina e o trigo russos, além de ter como pano de fundo os esforços da Rússia para se tornar autossuficiente em carnes. "Há muito tempo eles vinham dando sinal de que poderiam restringir até para estar melhorando o ambiente de produção interna", disse o secretário.

Questionado sobre a BRF, empresa atingida pela Operação Trapaça, Novacki também evitou estipular o prazo para reverter a decisão que suspendeu as exportações de três frigoríficos da companhia. Além da auditoria nas três plantas, a reversão da medida depende das conversas com os países importadores. Nesse sentido, Novacki citou a visita que o ministro Blairo Maggi fará ao Oriente Médio e à Ásia entre os dias 4 e 20 de abril.

Fonte : Valor

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