TRANSPORTADOR CONFESSA ESQUEMA

Em depoimento ao MP, empresário deu detalhes da fraude no leite e contou que ganhava R$ 0,07 por litro adulterado

O Ministério Público obteve ontem a primeira confissão da Operação Leite Compen$ado. O empresário Antenor Pedro Signor, de Rondinha, aceitou benefício da delação premiada e deu detalhes de como funcionava a ação, admitindo que já praticava a fraude do leite ‘há bastante tempo’: até dezembro para a Latvida e, desde janeiro, para a Confepar, do Paraná. Em depoimento, ele contou que transportava diariamente, de Rondinha para Selbach, 20 mil litros de leite adulterados ‘quase que na totalidade’. A fórmula utilizada era sempre a mesma: 70 litros de água e 300 gramas de ureia. Segundo Signor, a receita teria sido fornecida por funcionário da Confepar, que atuava em Selbach. Signor contou que era remunerado com R$ 0,07 por litro de leite adulterado entregue. Lá, pontuou durante depoimento, o homem ligado à cooperativa ainda adicionaria aos caminhões mais 5 mil litros de leite para então, seguir o percurso até Pato Branco (PR), onde o leite cru fraudado era processado pela cooperativa.

Em 30 dias, Signor realizava 30 viagens. Destas, 20 eram adulteradas, totalizando 500 mil litros de leite fraudado por mês entregue à Confepar. O promotor Mauro Rockenbach, responsável pelas investigações, acusou a cooperativa de ‘prática predatória, perniciosa e criminosa’ e disse que o RS sofreu ‘abalo no setor em função da ação criminosa’. ‘Todo o leite era adulterado e nunca a Confepar rejeitou carga’, garantiu. Em apenas uma oportunidade, a cooperativa não aceitou um lote, mas por motivo de ‘acidez baixa’, informou o MP.

O promotor ainda apontou que a estratégia da cooperativa seria oferecer pagamento melhor do que a concorrência para incentivar a fraude e ganhar em volume, ‘deixando a indústria gaúcha em prejuízo’. Rockenbach encaminhou pedido de auditoria da Confepar ao Ministério Público de Londrina e solicitou que o governo adote providências.

Signor garantiu, ainda, que seu irmão Adelar Signor, também preso na quarta-feira, não participava da adulteração, não adicionava qualquer substância ao leite e não sabia da fórmula utilizada. Segundo Signor, apenas Odirlei Fogalli, também detido, saberia e teria participado das fraudes, dirigindo os caminhões na coleta do leite junto aos produtores. Em função do acordo de delação premiada, o promotor irá postular a redução de metade da pena por ventura aplicada judicialmente. Rockenbach também deve requisitar a imediata concessão de liberdade ao depoente. ‘Resolvemos propor esse acordo pela qualidade da informação trazida. Nosso principal objetivo é estancar a atuação predatória e criminosa da Confepar’, declarou.

Ontem, a Operação também prendeu Paulo Rogério Schultz, em Boa Vista do Buricá, que, incialmente, teve o mandado de prisão negado na quarta-feira. No local, também foi apreendido caminhão que, segundo o MP, transportaria leite adulterado para a Confepar.

CP relatou ação

Em primeira mão, o Correio do Povo relatou na edição do dia 14 de maio a ação da Confepar no mercado gaúcho e a relação entre o funcionário e os fraudadores de leite.

Fonte: Correio do Povo

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