Transparência impulsiona bons negócios na Coopalm

Valor | Por De São Paulo

Processos transparentes e a sinceridade de um projeto real levaram uma cooperativa no Nordeste, constituída basicamente por agricultores familiares, a vencer o Prêmio Eco 2011 na Modalidade Práticas de Sustentabilidade, Categoria Sustentabilidade em Processos. Essa é a opinião de Raimundo dos Santos, presidente da Coopalm – Cooperativa dos Catadores de Palmito do Baixo Sul da Bahia, que oferece aos clientes palmito de pupunha certificado com os mais altos padrões de qualidade. Segundo Santos, "em 2011, a Cooperativa alcançou a segunda posição no ranking das marcas de palmito mais vendidas no país." O palmito produzido e comercializado é o Cultiverde, resultado da prática de um modelo de contribuição ao desenvolvimento de uma região com natureza exuberante e carente de projetos sustentáveis.

Visando a inclusão social e econômica de famílias produtoras rurais, a Coopalm passou a adotar praticas de governança participativa. Parcerias estratégicas foram firmadas desde 2005, quando uma série de ações foram iniciadas com o intuito de elevar a produtividade de pequenos produtores, com respeito ao meio ambiente e agregando valor à qualidade dos produtos. "Queríamos ter acesso a mercados exigentes que nos remunerassem justamente. Para fortalecer a cooperativa e ampliar a produção, a produtividade e a renda mensal de forma sustentável foi preciso obter recursos financeiros, estreitando parcerias com instituições de renome e até então distantes dos produtores", diz Santos.

O desafio foi conquistar a confiança de uma instituição financeira já que, devido à elevada inadimplência na região, os processos de financiamento do Programa Nacional de Fortalecimento da AGRICULTURA FAMILIAR (PRONAF) tinham sido interrompidos. "Conseguimos a liberação de crédito, desde que houvesse o acompanhamento pela Coopalm", diz Santos.

Também foram criadas bases para que as crianças e jovens tivessem acesso à informação e à educação formal adequada à realidade rural e para que uma classe média rural fosse desenvolvida com perspectivas de futuro a partir dos resultados do projeto.

A industrialização e a comercialização do palmito passaram a ser condições-chave para alcançar maior competitividade, principalmente em um mercado em que a concorrência com produtos de origem duvidosa, mas que conseguem oferecer preços menores ao consumidor, é comum. Assim, consultores foram estratégicos para apoiar a Coopalm. "No campo, produzir sem assistência técnica é o mesmo que ser um aluno sem professor, por isso, todas as parcerias que temos são fundamentais".

Assim, foi formalizada a Aliança Cooperativa do Palmito. Essa relação, segundo o presidente da Coopalm, teve como base conceitos como confiança e colaboração. Dela participaram inicialmente a Coopalm, a indústria de beneficiamento Ambial, e as redes varejistas. Nesta relação, a Coopalm garante quantidade, constância e qualidade do produto.

Por esta parceria, o palmito Cultiverde apresenta as certificações ISO 9001 (gestão da qualidade), 14001 (gestão ambiental), 22000 (segurança alimentar), Rainforest Alliance, Reconhecimento Estadual e Federal de Produtos de Origem da AGRICULTURA FAMILIAR, IBD (produto orgânico) e HACCP (Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle). São certificações que auxiliam o consumidor a identificar produtos agrícolas de origem responsável. (N.P.)

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