Transmissão no Estado receberá aporte bilionário

Novas linhas serão necessárias para atender à alta da geração eólica

FREDY VIEIRA/JC

Obras terão investimentos de R$ 2 bilhões

Obras terão investimentos de R$ 2 bilhões

Recentemente, 19 projetos de parques eólicos gaúchos, com potência instalada de 326,6 MW, saíram vitoriosos de um leilão de energia promovido pelo governo federal e confirmaram o investimento de pouco mais de R$ 1,5 bilhão nesses empreendimentos. No entanto, o desenvolvimento inerente a esses e a outros complexos dessa natureza não se resume apenas à geração de energia pelos ventos. Para escoar o aumento do potencial eólico, o Rio Grande do Sul absorverá vultosos recursos no segmento de transmissão nos próximos anos.
O diretor de Engenharia e Operação da Eletrosul, Ronaldo dos Santos Custódio, revela que a estatal está elaborando estudos quanto a essa expansão para auxiliar o governo federal a determinar as iniciativas que deverão ser leiloadas. Esse levantamento deve ser concluído no primeiro trimestre do próximo ano. Com base nessas informações, no segundo semestre de 2014 deverá ser submetido a leilão um conjunto muito grande de obras de transmissão para ampliar a capacidade de aproveitamento eólico no Estado. Custódio estima investimentos na ordem de R$ 2 bilhões. As obras deverão focar reforços no Litoral Norte e na Metade Sul, abrangendo municípios como Santa Vitória do Palmar, Jaguarão, Santana do Livramento, Quaraí, Candiota, Lavras do Sul, Piratini, Pinheiro Machado, entre outros. Os recursos serão aplicados em estruturas como linhas de tensão de 525 kV e 230 kV, assim como em subestações.
Com esse fortalecimento da área de transmissão, argumenta o diretor da Eletrosul, em 2015 o Estado ficará mais competitivo na disputa de leilões de geração eólica. Custódio recorda que o sistema de transmissão foi um diferencial do Rio Grande do Sul para o crescimento da energia eólica. Não é mais, pois as conexões que estavam disponíveis já foram aproveitadas. Além dos projetos futuros, a própria Eletrosul, em conjunto com o Grupo CEEE, está desenvolvendo importantes ações no segmento de transmissão dentro do Estado. As companhias estão construindo uma linha que ligará Santa Vitória do Palmar até a localidade de Povo Novo, em Rio Grande. A estrutura deve ser concluída por volta de junho do ano que vem. O dirigente detalha que foi decidido que parte da linha de transmissão passará por dentro da lagoa Mirim. “No trecho do Taim, a linha sai da terra firme e vai para dentro da água, para não incidir na reserva, uma solução de engenharia difícil, mas necessária”, enfatiza Custódio.
Posteriormente, outra linha será feita entre Povo Novo e Nova Santa Rita. Essas ações foram planejadas com a intenção de deslocar o incremento de energia de parques eólicos que estão sendo implementados no Chuí e em Santa Vitória do Palmar. Custódio adianta que algumas máquinas das usinas desse último município deverão estar operando provavelmente em março. Por isso, a Eletrosul avalia possibilidades para escoar essa parcela de energia inicial, antes do complemento da linha.
Tchiarles Coutinho Hilbig, integrante da GL Garrad Hassan (que, entre outros serviços, presta consultoria na área de energia), reitera que uma necessidade para o melhor aproveitamento da energia eólica no País é o reforço do sistema de transmissão brasileiro. “O Brasil tem um tamanho continental, e existem áreas em que ainda não foram desenvolvidos parques eólicos, mas que apresentam potencial”, diz Hilbig.
De acordo com o coordenador de Energia e Comunicações da Agência Gaúcha de Desenvolvimento e Promoção do Investimento (AGDI), Eberson Silveira, o Estado conta hoje com 463 MW eólicos instalados e deve chegar a 2017 com cerca de 1,8 mil MW (quase a metade da demanda média de energia do Rio Grande do Sul).

Fonte: Jornal do Comércio | Jefferson Klein

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