Transgênico responde por 30,7% da renda no campo

image

Piracanjuba (GO) e Belo Horizonte – De grão em grão, os transgênicos estão invadindo o campo brasileiro. Juntos, a soja e o milho são os GRÃOS mais cultivados no país, e é possível afirmar que as sementes geneticamente modificadas desses dois produtos já são responsáveis por quase um terço da renda bruta gerada na lavoura – R$ 57,9 bilhões (30,8%) do Valor Bruto da Produção (VBP) de R$ 188,2 bilhões em 2011, conforme dados da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Apesar dos fortes alertas contrários dos ambientalistas e das desconfianças dos consumidores, o plantio dos transgênicos só tenderá a crescer. Que o diga o agricultor Miguel Ma Tien Min, que cultiva milho e soja em Uberaba, no Triângulo Mineiro. Para ele, são evidentes os benefícios das sementes geneticamente modificadas para a produção. "Sempre se procura usar essas sementes em pontos onde os produtores encontram mais problemas. Elas são mais resistentes a pragas e até à seca. Esse é hoje o caminho para o agricultor", ressalta.

Ma Tien Min acrescenta que, para ter uma produção de sementes convencionais, que não agregam qualquer tecnologia, seria necessário haver ganhos extras à produção. "Teria que ter um preço diferenciado que compensasse, já que o custo seria superior", pondera. Ele opta pelas sementes transgênicas desde que foram lançadas comercialmente e acredita que representaram avanços para as lavouras.

Na opinião do agricultor Paulo Roberto Fiatikoski, há razões de sobra para comemorar os resultados que os avanços da biotecnologia vêm trazendo para o campo. Suas terras, localizadas em Piracanjuba, interior de Goiás, foram palco de testes da semente de soja Intacta RR2 Pro, desenvolvida pela gigante norte-americana Monsanto. A nova variação plantada por Fiatikoski foi modificada geneticamente, ganhando proteção contra a Anticarsia gemmatalis (nome científico da lagarta da soja) e tolerância ao herbicida glifosato, garantindo, com isso, maior produtividade na comparação com a semente convencional.

Herbicidas

Além de produzir mais, Fiatikoski reduziu o número de aplicações de agrotóxicos, de quatro para uma. "Estamos economizando 15% nos custos do cultivo. Com isso, o produto ficou mais competitivo", diz. Com 25 anos de experiência no campo, Fiatikoski estima que conseguirá ampliar a produção em 20% neste ano. "Os resultados dos testes têm sido surpreendentes", conta. Em uma área plantada equivalente, foram colhidos 275 quilos da nova variedade de soja contra 239 quilos da mais antiga.

O produtor goiano é um exemplo dos brasileiros que estão se beneficiando com os avanços tecnológicos no campo. Depois da mecanização, os agricultores estão tendo à disposição novos tipos de sementes cada vez mais resistentes a diferentes tipos de pragas e aos herbicidas. Além da soja, o milho e o algodão já possuem versões modificadas geneticamente no país atualmente. Pesquisadores do setor estimam que a tendência de crescimento seja mantida e, para isso, aceleram os estudos, que levam de seis a oito anos.

(*) A repórter viajou a convite da Monsanto

Potências em desenvolvimento

Área mundial de culturas geneticamente modificadas.

Veja os seis maiores produtores

Posição    Países    Área em     Culturas geneticamente

        2011*    modificadas

1ª    EUA    69,0    Soja, milho, algodão, canola,

            abóbora, papaia, alfafa e beterraba

2ª    Brasil    30,3    Soja, milho e algodão

3ª    Argentina    23,7    Soja, milho e algodão

4ª    Índia    10,6    Algodão

5ª    Canadá    10,4    Canola, milho, soja e beterraba

6ª    China    3,9    Algodão, papaia, álamo, tomate, pimentão

* Em milhões de hectares

Destaque verde-amarelo

Em 2011, o país ampliou a área de plantio de sementes transgênicas

em 4,9 milhões de hectares (ou 19,3%). As principais culturas são:

Soja – 20,6 milhões de hectares (82,7% do total da produção nacional da cultura)

Milho – 9,1 milhões de hectares (64,9% do total da produção nacional da cultura)

Algodão – 0,6 milhão de hectares (39% do total da produção nacional de cultura)

Um grão atrás do outro

Sementes de GRÃOS já comercializadas no Brasil

Feijão – possui uma variedade resistente ao vírus mosaico dourado

Algodão – nove variedades tolerantes ao glifosato, herbicidas e insetos variados

Milho – oito variedades tolerantes ao glifosato, insetos e herbicidas diversos

Soja – cinco variedades tolerantes ao glufosinato de amônio,

insetos e herbicidas químicos

 

Fonte: CORREIO BRAZILIENSE – DF  | Isaaa e CTNbi