Tradings investem em infraestrutura no Leste Europeu

Ilya Naymushin / Reuters
Campo de trigo em Solgon, sudoeste de Krasnoyarsk, Rússia: produção avança

O crescimento da importância da Rússia e da Ucrânia no mercado global de trigo nos últimos anos ocorreu na esteira de fortes investimentos das maiores tradings agrícolas do mundo na região. Nos últimos dez anos, os aportes têm sido direcionados principalmente à construção de infraestrutura para armazenar e escoar os produtos agrícolas.

A americana Cargill, que atua na região desde 1991, adquiriu 25% de participação em um porto na parte russa do Mar Negro em 2013. O aporte – cujo valor não foi divulgado – foi o primeiro da multinacional na infraestrutura da região.

A companhia ainda tem na Rússia uma unidade de processamento de trigo, uma fábrica de ração e um frigorífico, e na Ucrânia a Cargill é proprietária de silos e da maior produtora de ração do país, além de ter uma participação de 5% em uma trading local. Até 2013, a empresa já havia investido, apenas na Rússia, US$ 900 milhões. E em 2014 anunciou um investimento de US$ 100 milhões para a expansão de seu moinho no país.

A francesa Louis Dreyfus Commodities tem, há dois anos, uma joint venture com a companhia ucraniana Brooklyn Kiev, que administra um terminal portuário em Odessa, no Mar Negro. A trading também detém 12 silos na Rússia e seis na Ucrânia.

Um ano antes, a também americana Bunge já iniciava suas operações em seu terminal de grãos no porto Nikolaev, na Ucrânia, com acesso ao mar Negro, após um investimento de cerca de US$ 100 milhões. Na Rússia, sua presença é focada na produção de alimentos, com 12% de participação no mercado de óleos do país.

A ADM é outra trading dos Estados Unidos que administra instalações portuárias na Ucrânia, onde ainda possui uma planta de processamento de oleaginosas e um sistema de armazenamento de grãos. No ano passado, mesmo em meio aos conflitos entre russos e ucranianos, a companhia completou a aquisição da participação que faltava para obter controle total da trading Toepfer International, com operação em solo ucraniano.

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Fonte: Valor | Por Camila Souza Ramos

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