Trading Libero muda foco e parte para café

Ana Paula Paiva/Valor / Ana Paula Paiva/Valor
Algodão e café têm similaridades, diz o CEO da Libero, Adrian Moguel y Anza

Fundada em 2010 para operar com algodão, soja e milho, a trading Libero Commodities, que tem como sócios a francesa Louis Dreyfus Commodities, fundos estrangeiros e grandes produtores rurais brasileiros, redesenhou sua atuação. Desde junho de 2013 deixou de negociar soja e milho e ontem anunciou sua entrada no mercado de café.

A cooperativa mineira Minasul, que faturou R$ 400 milhões em 2013, passará a ser sócia da Libero. Inicialmente, deverá fornecer à trading de 5% a 10% do volume de café que recebe de seus cooperados – que, em média, chega a 1,2 milhão de sacas por ano. Mas esse volume deverá crescer, afirmou ao Valor Osvaldo Henrique Paiva Ribeiro, presidente da Minasul.

O café representará, no exercício 2013/14 da trading, cerca de US$ 25 milhões de um faturamento total projetado em US$ 175 milhões. Mas a receita com a commodity poderá triplicar já em 2014/15, para US$ 75 milhões, com o aumento dos volumes negociados, de acordo com o fundador e CEO da Libero, Adrian Moguel y Anza. Em seu próximo exercício (2014/15), a trading, que tem sede na Suíça, espera faturar US$ 325 milhões com os dois produtos (algodão e café).

A escolha do café para compor o portfólio da Libero derivou do fato de a commodity ter um valor agregado maior, assim como ocorre com o algodão. "Por ter um valor mais elevado, se comparado com soja e milho, o café sofre menos os impactos negativos da logística", disse Moguel y Anza. Segundo ele, diferentemente dos grãos, cujas cotações têm correlação com algodão, o café segue rumos diferentes. "A soja, o milho e o algodão disputam a mesma área nos principais países produtores. O café está fora dessa relação".

O executivo observou que o valor da tonelada de soja gira em torno de US$ 450, enquanto a de milho é de cerca de US$ 250 e a de algodão fica em US$ 2,2 mil. "Já a tonelada de café chega a US$ 4 mil".

Ribeiro afirmou que o negócio com a Libero representará maior acesso dos cooperados da Minasul ao mercado internacional. Isso será útil na estratégia do grupo de valorizar o café produzido pelos associados. Características como rastreabilidade, segundo ele, são procuradas no mercado internacional, mas ao vender para tradings tradicionais a cooperativa ainda não consegue ter esse reconhecimento do cliente final.

Ribeiro também explicou que, como sócia, a Minasul, que tem sede em Varginha (MG), terá participação nos resultados da Libero. Trata-se de um modelo de negócio inédito entre uma cooperativa de café e uma trading, conforme o presidente da Minasul.

Localizada no sul de Minas Gerais, tradicional região produtora de cafés de qualidade, a cooperativa também mantém sete núcleos, além da sede, onde recebe café diretamente dos produtores, a maior parte do próprio Sul mineiro. O CEO da Libero afirmou que, neste momento, a companhia está focada em movimentar os volumes da nova parceira, mas espera, no futuro, atrair novas cooperativas do ramo como sócias.

A Libero Commodities tem 50% de seu capital controlado pela Libero holding. A outra metade está nas mãos de produtores agrícolas e cooperativas – que, juntos, têm uma área plantada de cerca de 5 milhões de hectares. A Louis Dreyfus detém participação de 24,5% na holding.

Desde que começou a operar, em maio de 2010, a Libero registrou um faturamento acumulado de US$ 550 milhões, dos quais cerca de US$ 100 milhões vieram com a operação de soja e milho.

Em sua primeira safra, a 2011/12, a Libero movimentou 100 mil toneladas de algodão; em 2012/13, o volume caiu para 65 mil toneladas, em função da queda da produção brasileira em geral. O CEO afirmou que, até agora, já estão negociados 85 mil toneladas da pluma para 2013/14, volume que deverá subir a 100 mil toneladas até o fim da temporada.

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Fonte: Valor | Por Fabiana Batista e Carine Ferreira | De São Paulo

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