Trabalhadores aguardam por ganhos salariais

Se, por um lado, produtores, corretores, industriais e comerciantes celebram a valorização e o aumento das vendas do arroz, por outro, milhares de trabalhadores ainda esperam para ver qual será o ganho de quem está no chão das fábricas.

Com o dissídio assinado em julho, os trabalhadores das indústrias de arroz da região de Pelotas – onde estão seis das 10 maiores empresas do Estado – ganharam apenas a reposição da inflação. O salário dos operários de serviços gerais foi de R$ 1.379,60 para R$ 1.400,00 e o dos profissionais variou de R$ 1.545,28 para R$ 1.600,00.

"Apesar dos negócios estarem bem e a indústria do arroz ter trabalhado todos os dias desde o início da pande-mia, não houve ganho algum para os trabalhadores, se alguém ganhou foram os patrões", lamenta Lair de Mattos, presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Alimentação de Pelotas e Região.

Para o dirigente sindical o alto índice de desemprego, que em junho chegou a 13,3% no Brasil, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), impacta negativamente sobre os salários dos empregados das arrozeiras e põe por terra qualquer expectativa de melhoria, apesar do momento positivo da cadeia produtiva.

"Há um exército de desempregados dispostos a trabalhar por estes salários. Entre 2013 e 2014, quando o desemprego estava em 6%, conseguimos um ganho real de 5% sobre os salários", relembra.

A quantidade de vagas ofertadas pelo setor também praticamente não se alterou com relação ao ano passado, conforme os dados do sindicato. O número de trabalhadores fixos – aqueles que permanecem ocupados mesmo depois de encerrada a safra – segue entre 1,3 mil e 1,4 mil nas empresas locais.

Fonte: Jornal do Comércio

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