Tortuga lidera o avanço das operações do grupo holandês DSM no Brasil

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Antonio Ruy Freire, da DSM: "Queremos crescer 5% ao ano em faturamento"

Depois de passar os últimos 20 anos como executivo da DSM em países tão díspares como Colômbia, China e Suíça, o soteropolitano Antonio Ruy Freire voltou ao Brasil no fim de março com a missão de integrar as operações da gigante brasileira de nutrição animal Tortuga, adquirida a peso de ouro pela multinacional holandesa em agosto do ano passado por € 465 milhões.

Em poucos meses à frente do novo negócio, Freire concluiu que a Tortuga é grande demais para ser "consolidada". Principal unidade de negócios da DSM na América Latina, a empresa brasileira é que vai digerir a DSM no país. Na prática, a Tortuga incorporará juridicamente, em 1º de outubro, as operações da holandesa no Brasil. Após a incorporação, a empresa terá seu nome mudado para DSM Produtos Nutricionais do Brasil, "criando" uma companhia que vai faturar US$ 650 milhões por ano apenas em nutrição animal. Líder global em enzimas e vitaminas, a DSM também atua no Brasil em áreas como nutrição humana.

"A Tortuga é muito maior que a DSM no Brasil. Saímos de 200 funcionários para 1,5 mil", conta Freire, que agora acumula os cargos de CEO da Tortuga e presidente da DSM para a América Latina. Para se ter ideia do tamanho da Tortuga, basta dizer que a companhia foi, sozinha, responsável por 7%, ou €18 milhões, do lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) da divisão global de nutrição da DSM entre abril e junho, o primeiro trimestre da Tortuga sob o comando múlti holandesa. No ano passado, a DSM como um todo teve uma receita líquida de €9,1 bilhões.

Antes da Tortuga, a DSM tinha uma operação modesta no Brasil em nutrição animal, com uma unidade em São Paulo voltada para a produção de premix (pré-mistura de minerais e vitaminas usada na composição de rações) para aves e suínos.

Com a Tortuga, que produz mais de 500 mil toneladas de produtos por ano, a DSM agora conta com unidades em Mairinque (SP) e Pecém (CE). Apesar de também produzir ração para aves e suínos, a força da Tortuga está na área de suplementos minerais para ruminantes, mercado que a companhia lidera com cerca de 30% de participação. Segundo Freire, a área de nutrição animal da DSM no país terá uma receita líquida da ordem de US$ 650 milhões por ano. A Tortuga representará mais da metade disso. Em 2012, a empresa brasileira registrou uma receita líquida de R$ 870 milhões.

No processo de integração, a Tortuga ganhará mais espaço na área internacional. A expectativa de Freire é que as exportações respondam por 10% do faturamento do "portfólio de produtos Tortuga" em cinco anos. Hoje, as exportações da Tortuga, concentradas na América do Sul – notadamente no Paraguai -, representam 5% do faturamento. A DSM espera registrar produtos da Tortuga na América Latina, Rússia, Índia, China, Nova Zelândia e EUA.

"Não significa aumentar para 10% sob a base de faturamento atual. Queremos crescer 5% ao ano em faturamento", afirma ele. Esse crescimento, diz Freire, virá da maior demanda de pecuaristas por tecnologia. Sob constante pressão das lavouras de grãos, as áreas de pastagens tendem a diminuir de tamanho no Brasil nos próximos anos. Com isso, a produtividade da pecuária terá de aumentar para manter a oferta de carne, diz. Por produtividade, entenda-se maior demanda por tecnologias como adubação de pastagens e nutrição animal. É nesse contexto que a DSM espera avançar.

Na avaliação de Freire, a integração das operações de DSM e Tortuga não reduzirá custos. "Não estamos preocupados com sinergias de custo. Não precisamos disso para justificar a aquisição", afirma. Ele estima que o processo de integração deve ser concluído até o fim de 2015, quando a DSM deverá unificar os sistemas de gestão das duas empresas.

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Fonte: Valor | Por Luiz Henrique Mendes | De São Paulo

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