TMG ganha mercado e planeja estreia em milho

A Tropical Melhoramento e Genética (TMG) tem avançado em seu plano de dominar 30% do mercado de soja e 50% do de algodão até a safra 2020/21, para quando prevê um faturamento de R$ 280 milhões. Na safra 2017/18, as vendas da empresa somaram R$ 100 milhões e o valor deverá atingir R$ 140 milhões na temporada atual (2018/19).

A TMG trabalha com melhoramento genético convencional (seleção e cruzamento de plantas) e depois agrega às suas cultivares as biotecnologias desenvolvidas por grandes multinacionais, a exemplo do gene Roundup Ready (RR), que ficou sob o guarda-chuva da Bayer após a aquisição da Monsanto.

"Somos a única companhia de capital nacional que restou na área", lembra Francisco José Soares Neto, diretor-presidente da TMG. Criada em 2001, a empresa tem o comando partilhado entre a Unisoja, que reúne 60 pessoas (dentre elas grandes produtores de grãos de Mato Grosso), e um grupo de pesquisadores.

A TMG é uma empresa de licenciamento de variedades de soja e algodão. "Fizemos uma revisão na parceria com os multiplicadores de sementes. Estamos mais próximos deles. Temos de tentar sobreviver num mercado dominado por multinacionais", afirma Francisco José Soares Neto, diretor-presidente da TMG.

A participação de mercado da TMG é de 10% no mercado de soja e de 35% no de algodão. "Em soja, nós chegamos a ter 18% do mercado. E essa perda dos últimos quatro anos é consequência do tempo que demora para se chegar a novas variedades que sejam produtivas", explica o executivo.

Com a entrada de novas variedades, Soares Neto acredita que o plano de alcançar 30% do mercado de soja até a safra 2020/21 será alcançado. Para algodão, ele avalia que já para a safra atual (2018/19) chegará próximo de 45% de participação de mercado.

Para a temporada corrente, a TMG promete lançar seis produtos para soja. "Com isso, teremos cerca de 45 produtos sendo comercializados para a oleaginosa e a recuperar a participação fica mais fácil", acredita Soares Neto.

Enquanto sua participação de mercado em soja e algodão aumenta, a TMG também investe em pesquisas para desenvolver uma nova cultivar de milho. A expectativa é lançar a primeira variedade em quatro anos.

"Desenvolver uma cultivar de milho é mais difícil, mas é mais lucrativo. Eu não preciso ter 10% do milho para ganhar dinheiro", afirma. De acordo com ele, a rentabilidade de uma cultivar do cereal é aproximadamente quatro vezes maior que a de soja.

"A saca da semana de soja está entre R$ 20 e R$ 25, enquanto a do milho está entre R$ 75 e R$ 100", exemplifica Soares Neto.

No mercado externo, a TMG tem operações na Argentina, Uruguai, Paraguai e Bolívia. "Na Argentina, estamos em fase de melhoramento ainda. E nos outros mercados a participação é pequena. O complicado é que esses países, tirando o Uruguai, não respeitam a propriedade intelectual de cultivares", afirma.

Na América do Norte, o ambiente de negócios é mais animador. "Temos algumas parcerias com universidades nos EUA. Lá é o nosso grande foco no médio prazo: têm grande área de soja e respeitam propriedade intelectual", afirma. O acesso ao mercado, contudo, é um fator complicante, já que há um grande protecionismo. "Mas se tivermos uma participação pequena nesse grande mercado, já é melhor do que ter uma grande participação na Argentina", pondera.

Fonte: Valor | Por Kauanna Navarro | De São Paulo