Tereos Internacional vislumbra avanço no segmento de amidos

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Pierre-Christophe Duprat, CEO da Tereos Syral: ampla disponibilidade de milho é uma das vantagens do negócio no Brasil

Um ano depois de entrar no segmento de amidos no Brasil com a aquisição de 70% da paulista Halotek-Fadel, a Tereos Internacional faz planos para conquistar uma participação de dois dígitos nesse mercado no país, que está em expansão. A meta da companhia, mais conhecida por aqui pelos negócios na área de cana-de-açúcar, é partir de uma participação inferior a 2% que a Halotek-Fadel já detinha para chegar a 15% nos próximos anos.

Para isso, a Tereos conta com o impulso de a nova processadora de milho com capacidade para 300 mil toneladas por ano que começará a operar em 2013 em um complexo industrial já existente no município de Palmital, no centro-oeste paulista, batizado de Syral Halotek. A nova unidade é o ponto alto de um plano de investimentos em amidos que o grupo desenvolve no mercado brasileiro e que prevê, no total, aportes de R$ 250 milhões. No complexo de Palmital já existe uma planta processadora de mandioca com capacidade para 200 mil toneladas/ano.

O Brasil ainda representa pouco do negócio de amidos da empresa, informa Pierre-Christophe Duprat, CEO da Tereos Syral, braço global de amidos da Tereos Internacional. Na Europa, onde é a terceira maior do ramo, a companhia começou a atuar nesse mercado nos anos 90 e hoje tem nove fábricas, que processam 3,7 milhões de toneladas de cereais por ano. A operação europeia também gera anualmente cerca 500 mil m³ de etanol à base de trigo – fora do foco brasileiro.

Afora as perspectivas de avanço no mercado brasileiro a partir da nova unidade que entrará em operação em 2013, o executivo dá sinais de que a aposta no país não se resumirá apenas a ela. Segundo ele, a ampla disponibilidade de milho faz do país um foco importante de investimentos nesse segmento. "Teremos larga oferta do grão no Brasil nos próximos 40 anos", diz o executivo.

Além disso, as projeções sinalizam a continuidade do crescimento da renda dos brasileiros, o que se reflete, na avaliação de Duprat, diretamente no consumo de industrializados – tais como refrigerantes, sorvetes, lácteos e outros produtos de alto valor agregado cujas preparações demandam ingredientes produzidos à base de amidos.

Conforme ele, atualmente o mercado brasileiro movimenta cerca de 1,8 milhão de toneladas anuais de amidos e cresce a taxas de 8% a 10% ao ano. "O consumo per capita nos Estados Unidos, por exemplo, é de 20 a 22 quilos anuais, enquanto no Brasil, ainda está em 7 quilos", compara.

A partir do amido contido na mandioca e no milho, a Tereos produz uma série de subprodutos (glucoses, maltodextrinas, dextrose e polióis, entre outros) usados na indústria de alimentação (laticínios, panificação, confeitos, bebidas, comida para bebês etc.) e nas áreas de papel e celulose, plásticos e farmacêutica. "Essa operação resulta em diversos ingredientes poucos conhecidos do público em geral, mas que são muito utilizados. É o caso do sorbitol, por exemplo, usado na composição das pastas de dente".

Os setores de alimentos, nutrição e cuidado pessoal abrigam 61% dos clientes da Tereos Syral. A indústria de química verde representa 13% da carteira de clientes, enquanto a de papel responde por outros 9%.

A China é outro foco de investimentos da companhia nesse segmento. A Tereos Syral fez uma parceria com a trading Wilmar International na construção de uma indústria de produção de glúten e produtos derivados do trigo em Canton, na Província de Dongguan. O mercado chinês de amidos é o maior do mundo, com 21,2 milhões de toneladas anuais, de acordo com Duprat, e avança a taxas entre 10% e 15% ao ano.

"No Brasil e na China, as perspectivas são de crescimento das margens desse negócio, diferentemente do que ocorre hoje na Europa, onde o mercado está mais consolidado", diz Duprat.

Além de amidos, com a Tereos Syral, a Tereos Internacional detém outro grande negócio, que envolve cana-de-açúcar. Nesse segmento, controla a brasileira Guarani, uma das principais produtoras de açúcar e etanol do país, e conta com ativos na África.

No entanto, em torno de 60% da receita líquida e 40% do Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da Tereos Internacional é proveniente da operação de amidos. Na safra 2011/12, encerrada em 31 de março, o faturamento desse negócio foi de R$ 3,935 bilhões, enquanto o da cana atingiu R$ 2,941 bilhões.

Contexto

O mercado brasileiro de amidos é da ordem de 1,8 milhão de toneladas anuais e atualmente é atendido por um grupo pequeno de empresas. As duas melhores posicionadas são a Ingredion (Corn Products), líder do ranking no país, e a Cargill, que atua nesse mercado no Brasil desde 1990. Ambas são de origem americana. A Ingredion, que entrou no Brasil em 1929, tem cinco fábricas processadoras de milho no país e produz ingredientes que vão desde adoçantes, polióis e amidos diversos. A Cargill tem em Uberlândia (MG) seu maior complexo industrial de amidos fora dos EUA e há cerca de um ano anunciou o investimento de uma nova fábrica, no município de Castro (PR).

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Fonte: Valor | Por Fabiana Batista | De São Paulo

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