Tendência de alta no trigo

Embrapa projeta aumento de 10% na área cultivada com o cereal no próximo ciclo produtivo

Após a produção estadual recorde de trigo neste ano, a Embrapa projetou, ontem, na Capital, tendência de crescimento de 10% na área na próxima safra em relação aos 1,032 milhão de hectares deste ano. Segundo o chefe-geral da Embrapa Trigo de Passo Fundo, Sérgio Dotto, o Estado tem potencial de crescimento enorme já que são usados só 20% dos 5,38 milhões de hectares de soja e milho no plantio de inverno. O especialista calcula que seria possível cultivar até 1,79 milhão de hectares, o que, com a produtividade atual, permitiria colher 5,3 milhões de t. ‘Com o rendimento deste ano e aproveitando essas áreas vazias no inverno, principalmente nas regiões Norte e Nordeste, poderíamos produzir mais de 5 milhões de toneladas.’

O diretor técnico da Emater, Gervásio Paulus, acrescenta que os aumentos mais expressivos em termos percentuais nesta safra foram observados justamente em zonas ‘não tradicionais’, como a Sul, que cresceu 43,21%. O secretário do Desenvolvimento Rural, Ivar Pavan, lembra que o investimento é baixo para a ampliação de áreas, gastos extras apenas em adubo, semente e químicos já que os equipamentos e máquinas são os mesmos usados nas culturas de verão.

Com produção de 5,35 milhões de toneladas, o país não consegue atender ao consumo e teve de importar 6,7 milhões t. Mas, no cenário traçado, terá peso uma nova postura do governo. Com adversários como Argentina e Uruguai, que possuem custos mais baixos e clima favorável, Dotto defende que a União reestude os acordos do Mercosul. ‘É preciso uma política de estímulo e de proteção. Se tivermos liquidez garantida haverá crescimento’, analisa Dotto. Segundo ele, na semana passada, a pedido da Casa Civil, estiveram reunidos Ministério do Desenvolvimento Agrário, Ministério da Agricultura e Embrapa com o objetivo de formular uma política pública visando a redução das importações a partir da elevação da produção para 70% do consumo nacional, hoje superior a 11 milhões de toneladas.

De acordo com a Fecoagro, o cenário econômico para a cultura já foi melhor. Com a prorrogação da TEC zerada, o preço interno está na descendente desde outubro, período em que o valor da tonelada caiu de mais de R$ 800,00 para R$ 589,00, na primeira semana deste mês. O impacto na rentabilidade será apresentado hoje pela federação.

Fonte: Correio do Povo

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