Temporal atinge produção agrícola

A chuva e o granizo que atingiram o Estado nos últimos dias prejudicaram de forma irreversível meses de trabalho no campo. Em Bento Gonçalves, áreas de pêssego e ameixa tiveram 100% de perda. Nas videiras, o prejuízo chega a mais de 60%, inclusive no Vale dos Vinhedos. As perdas foram mais severas porque o temporal chegou em plena safra do pêssego, faltando 20 dias para a colheita da uva e a um mês para a da ameixa. Nas plantas atingidas, a perda foi total, relatou Gilberto Salvador, agrônomo da Emater em Bento Gonçalves, que passou a manhã percorrendo propriedades. O granizo, seguido de ventania, desfolhou as plantas e machucou frutas. O que não caiu terá de ser retirado do pé, porque depois de lesionada, a fruta apodrece. Na uva, os parreirais em que as folhas resistiram ainda têm salvação. Nos demais, resta fazer a poda e esperar a próxima safra. Em Caxias do Sul, perdas também nas hortaliças. Na uva, a estimativa é de estragos de 70%. Em Farroupilha, o dano no pêssego chega a 80%. Em Pinto Bandeira, 50% da uva e do pêssego estão perdidos.

De acordo com a presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Bento Gonçalves, Monte Belo do Sul, Santa Tereza e Pinto Bandeira, Inês Fagherazzi, a maioria dos agricultores possui o seguro agrícola com subsídio de 60% na uva e de 40% no pêssego. Mas nem todas as áreas são seguradas. ‘Já falamos com parlamentares. Esses precisarão de prorrogação das dívidas em dois anos e sem juros. Em 18 anos, nunca vi os quatro municípios atingidos.’

Dados consolidados deverão vir no Conjuntural da Emater de quinta-feira, mas houve problemas também em pomares de maçã em Vacaria. No caso da soja, segundo o agrônomo Alencar Rugeri, a chuva é bem-vinda.

Na Fronteira-Oeste, a precipitação intensa alagou áreas semeadas com arroz e danificou taipas. Os maiores estragos ocorreram em Quaraí e Barra do Quaraí, onde lavouras de arroz recém cultivadas foram destruídas pelo avanço do rio Quaraí. Segundo relatório do Irga, os prejuízos podem superar R$ 6 milhões. O agrônomo da Emater João Battassini relata que produtores terão de drenar a água acumulada e refazer as estruturas. Em algumas áreas, será preciso optar pelo replantio, o que preocupa em função do prazo do zoneamento. ‘O impacto da produtividade vai depender do cuidado no manejo’, alertou, garantindo que, no mínimo, os arrozeiros terão aumento de custo.

Fonte : Correio do Povo

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