Temporada americana de furacões sustenta preços do suco em Nova York

Os efeitos adversos da atual temporada americana de furacões sobre a citricultura da Flórida reverteram a tendência de queda das cotações do suco de laranja na bolsa de Nova York. A curva descendente, que começou a ser traçada em dezembro, vinha sendo determinada pela recomposição da oferta do Brasil, responsável por mais de 80% das exportações globais da commodity.

Cálculos do Valor Data baseados nas médias mensais dos contratos futuros de segunda posição de entrega (normalmente os de maior liquidez) mostram que, depois de subir 1,5% em agosto na comparação com julho, já sustentado pelas intempéries nos EUA, o suco sobe mais 10,7% em setembro (o balanço foi fechado no dia 28), para o maior patamar desde abril. Dependendo do comportamento da demanda americana, a escalada poderá continuar em outubro.

Açúcar e café, outros dois produtos agrícolas cujas exportações mundiais são lideradas pelo Brasil, variam pouco em Nova York em setembro. O açúcar fecha o mês com preço médio 0,18% superior ao de agosto, sob a influência da ampliação das apostas das usinas do Centro-Sul do país na fabricação de etanol, ao passo que o café cai 1,29%, pressionada pela melhora das condições climáticas em polos produtores brasileiros.

No mercado de grãos em Chicago, as oscilações observadas neste mês oferecem sinais distintos aos produtores do Brasil, que lidera os embarques de soja e é o segundo maior país exportador de milho. No caso da soja, há alta de 2,86% em relação a agosto, mas o milho recua 1,88%. Em ambos os casos, portanto, os preços continuam bem mais baixos que na primeira metade desta década – o que contribui para manter a inflação brasileira em queda, mas achata as margens de lucro dos produtores.

Segundo os cálculos do Valor Data, o milho ainda encerra setembro com cotação média 6,2% maior que no mesmo mês do ano passado, mas a soja apresenta estabilidade na comparação. Em Nova York, entretanto, a situação para os exportadores brasileiros é pior: açúcar, suco e café apresentam quedas de dois dígitos na comparação.

 

Por Cleyton Vilarino, Fernanda Pressinott e Fernando Lopes | De São Paulo

Fonte : Valor

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