TECNOLOGIA | Três caminhos para a lavoura render mais

Donos de propriedades de diferentes tamanhos mostram as ferramentas que usam para aumentar a produtividade

Das pequenas às grandes propriedades, um único desejo une agricultores: produzir mais na mesma área cultivada. Para obter esse resultado, a tecnologia é o principal instrumento. E garante a colheita de efeitos proporcionais a sua aplicação.
Dirceu Olair Hoffstaedter, 63 anos, Luiz Carlos Schuster, 49 anos, e Ari Antônio Araldi, 60 anos, têm em comum a dedicação ao cultivo de grãos, sobretudo a soja, e a participação em feiras como a Expodireto, onde buscam novidades para as lavouras. Cada um usa a tecnologia a seu próprio tempo.
Hoffstaedter cultiva 195 hectares em Victor Graeff, no norte do Estado – soja e milho no verão, trigo e aveia no inverno. Emprega tecnologia de precisão em 60% da área, usa sementes transgênicas e tem à disposição dois tratores, um de 85 cv e outro de 121 cv, um pulverizador, uma plantadeira com 10 linhas, uma semeadeira e uma colheitadeira com duas plataformas. Com isso, estima chegar a uma produtividade de 70 sacas de soja por hectare nesta safra.
Ajuda para driblar a estiagem
No ano passado, quando a seca arrasou as lavouras gaúchas, a média do agricultor foi de 50 sacas por hectare, 92% maior do que a média estadual, de 26 sacas por hectare, conforme dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O lucro com o aumento da produção permitiu a renovação da frota, com a compra de máquinas de alta tecnologia para aplicar conceitos da agricultura de precisão.
Os equipamentos mais antigos do produtor têm apenas cinco anos de uso. E ele já planeja uma nova aquisição:
– Meu próximo desejo é substituir o pulverizador por um autopropelido, para realizar o trabalho em menor tempo.
Schuster, de Não-Me-Toque, tem 50 hectares nos quais reveza soja e milho no verão e trigo, aveia e azevém no inverno. Aplica a agricultura de precisão em 20% da área, usa sementes melhoradas em laboratório e conta com dois tratores, de 65 cv e de 75 cv, uma plantadeira com seis linhas, um pulverizador e uma colheitadeira. Planeja chegar a 60 sacas de soja por hectare nesta safra.
– Eu invisto em tecnologia aos poucos, mas com as escolhas certas, conquisto bons resultados – conta o produtor.
O objetivo dele é aplicar agricultura de precisão em 100% da área.
Araldi é dono de uma propriedade de 25 hectares em Carazinho. Cultiva soja e milho no verão. Para o trabalho, conta com um trator fabricado em 1978, uma plantadeira de cinco linhas, um pulverizador e sementes melhoradas em laboratório. A colheita é feita com uma máquina terceirizada, o que diminui os ganhos com a produção. Em safras boas, chega produzir uma média de 45 sacas de soja por hectare. Para este ano, projeta 35 sacas do grão por hectare.
Apesar das boas oportunidades de financiamento, considera os altos custos para a manutenção da propriedade um empecilho para um ritmo mais acelerado da tecnologia.
– Participo de feiras e dias de campo de olho nos novos insumos. É o investimento que posso fazer no momento – assegura o produtor.


fernandadacosta@zerohora.com.br

FERNANDA DA COSTA

Fonte: Zero Hora

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