Técnica de gestão usada em grandes empresas chega ao campo no RS

Princípios dos cinco esses são aplicas em propriedades do Alto Uruguai.
Alunos de agronomia da universidade prestam consultoria para produtores.

Do G1 RS

Aplicada em grandes empresas do mundo todo, uma técnica de gestão de qualidade conhecida como "os cinco esses" chega também ao campo. A iniciativa é de uma universidade de Erechim, no Noroeste do Rio Grande do Sul, e promete trazer benefícios para os agricultores, como mostra a reportagem do Campo e Lavoura (veja o vídeo).

Há cerca de um ano, estudantes de agronomia da Universidade Regional Integrada (URI) prestam consultoria a produtores rurais da região. O projeto é baseado em uma técnica de gestão baseada nos princípios de utilização (seiri), organização (seiton), limpeza (seiso), saúde e higiene (seiketsu) e, por último, autodisciplina (shitsuke).

São os cinco esses, formados pelas iniciais das palavras no idioma japonês, onde a técnica nasceu. “É uma ferramenta de melhoria da qualidade, e que não envolve custos, envolve uma mudança de comportamento, um modo de vida que o produtor passa a adotar, sem necessidade de investimentos”, define o coordenador do projeto, Amito Teixeira.

Dez propriedades do Alto Uruguai fazem parte do projeto. Uma vez por mês, uma equipe da universidade faz visitas para orientar os agricultores. A proposta é gerenciar a propriedade de forma que o trabalho seja simplificado, e o tempo, otimizado. E isso parte de princípios básicos, como a organização.
No galpão de uma propriedade, por exemplo, os materiais foram separados e classificados. Agora, cada ferramenta tem um lugar e todo o lixo é separado. A horta orgânica é garantia de uma alimentação mais saudável, enquanto a manutenção do jardim melhora também o bem estar de quem mora e trabalha no local.

Os cinco esses também mudaram o aviário da propriedade de Felipe Menegat, que agora tem um setor de reposição de peças e fichas de controle. Nem a lavoura ficou de fora das transformações. "Com a separação, cada área é diferente, então a gente faz um custo por área, o que cada uma precisa de fertilizante, de insumos, e consegue otimizar a produtividade”, diz o produtor rural.

Já na primeira safra os custos de produção na propriedade de Felipe baixaram 10% e o lucro cresceu 12%. Números que fazem os agricultores repensarem o futuro na propriedade rural. “Muitos estavam indo embora, quase estavam para fechar a propriedade porque não tinham mais recursos. Eles começaram a se organizar melhor e agora estão querendo ficar”, garante o estudante Junior André do Nascimento, bolsista do projeto.

Fonte: G1