Taurus quer elevar eficiência e reverter quedas das ações

Fonte:  Valor | Sérgio Ruck Bueno | De Porto Alegre

Metalurgia: Uma das medidas será a venda da controlada Wotan, que produz máquinas industriais.

Neco Varella/Valor

Dennis Braz Gonçalves, novo presidente da empresa, fala em necessidade de aquisições para aumentar vendas

Anunciado nesta semana como novo diretor-presidente da Forjas Taurus, o executivo Dennis Braz Gonçalves assumiu o cargo com a tarefa imediata de aumentar os níveis de eficiência do grupo para melhorar a percepção do mercado e reverter a queda nas cotações das ações registrada a partir da reestruturação acionária aprovada no fim de maio. Desde o dia 27 daquele mês, as ações ordinárias (com direito a voto) da empresa recuaram 46,4%, para R$ 1,90, enquanto as preferenciais (sem voto) caíram 27,8%, para R$ 1,87. No período, o Ibovespa recuou 17%.

Um dos projetos mais imediatos é vender a controlada Wotan, que produz máquinas industriais em Gravataí, na região metropolitana de Porto Alegre. Adquirida em 2004, a empresa vem apresentando resultados negativos e está fora do foco prioritário do grupo, que também fabrica capacetes para motociclistas e forjados. "A decisão foi tomada", reforça o presidente do conselho de administração, Luiz Fernando Costa Estima, que até agora também exercia a presidência-executiva da Taurus.

No primeiro semestre, a Wotan apurou receita de R$ 14,6 milhões (queda de 49,2% sobre igual período de 2010), o equivalente a apenas 4,6% das vendas líquidas consolidadas do grupo. O resultado bruto da controlada fechou negativo em R$ 1,4 milhão e o prejuízo antes dos impostos somou R$ 11,9 milhões, prejudicando o desempenho global da Taurus, que no mesmo intervalo apurou uma queda de 79,6% no lucro líquido consolidado, para R$ 6,9 milhões.

A Taurus já recebeu ofertas de compra pela controlada, mas os nomes dos interessados não são revelados. Gonçalves também não arrisca prever um prazo para a conclusão do negócio. Ex-presidente da Valesul Alumínio (de 1993 a 1996) e do grupo Paranapanema (de 1996 a 2003), ele sabe que as negociações podem se estender e até lá pretende minimizar a "drenagem" de recursos provocada pela Wotan.

Outro plano de longa data é aumentar a internacionalização da produção de armas, segmento que teve crescimento de 7,1% na receita no primeiro semestre, para R$ 223,8 milhões, o equivalente a 70% do total apurado pelo grupo. Parte dos produtos vendidos nos Estados Unidos, o principal mercado da empresa no segmento, já é fabricada localmente e a intenção da Taurus também é ter base industrial na Europa.

"A Taurus é compradora", afirma Estima. Conforme Gonçalves, a demanda mundial de armas curtas é "inelástica" e apresenta apenas crescimento vegetativo, o que obriga as empresas do setor a fazer movimentos de consolidação para ganhar musculatura e sobreviver no mercado. "Existem vendedores no mundo", afirma. De acordo com ele, o aprofundamento da internacionalização também é um caminho para driblar os efeitos negativos da valorização do real.

O câmbio foi um dos fatores que contribuíram para a queda do lucro líquido no semestre, apesar da alta de 2,7% na receita líquida, para R$ 318,4 milhões. As exportações, que cresceram 7,7% em dólar, para US$ 107 milhões, recuaram 3,8% em reais, somando R$ 173,3 milhões, e junto com o aumento dos custos das matérias-primas das armas e capacetes contribuíram para a redução da margem bruta de 44,2% para 37,6% no período.

A contratação de Gonçalves como diretor-presidente, com mandato fixado inicialmente até 2013, faz parte do processo de reestruturação da Taurus, que incluiu a incorporação da até então holding controladora Polimetal, junto com uma dívida financeira de R$ 165 milhões. A Polimetal era controlada por Estima, que após a operação teve a participação sobre o total de ações ordinárias (ON), diretamente e por intermédio da holding familiar Invespar, reduzida de 94,1% para 43,8%.

O conselho de administração também foi ampliado de seis para sete integrantes, com quatro representantes do controlador, dois dos minoritários e um escolhido de comum acordo. A companhia ainda adotou o "tag along" de 100% para os minoritários e em julho aderiu ao Nível 2 de governança corporativa da BM&FBovespa. Em até dois meses será contratado um novo diretor de relações com investidores, cargo que até lá será acumulado por Gonçalves.

Mesmo assim, a reestruturação não agradou a todos os acionistas e alguns deles exerceram o direito de recesso de até R$ 3,30 por ação. O banco de investimentos Geração Futuro, por exemplo, reduziu sua participação em ações preferenciais (PN) de cerca de 34% para 24,9% e recebeu 12,2% dos papéis com direito a voto A Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, manteve a posição original em ações PN (29,4%) e recebeu 14,4% das ON. Os papéis correspondentes ao direito de recesso foram incorporados à tesouraria, que hoje acumula 6% das 47,1 milhões de ações ON e 10,2% dos 94,3 milhões de títulos PN.

A nova política de governança da Taurus passou a incluir também a divulgação de projeções trimestrais de desempenho e, no fim do ano, a empresa admite apresentar o "guidance" para todo o exercício de 2012. Na divulgação dos resultados do segundo trimestre, a previsões informadas para os três meses seguintes incluem receita líquida consolidada de R$ 197 milhões, ante os R$ 167,1 milhões apurados no mesmo período de 2010. O lucro antes dos juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda) é estimado em R$ 30 milhões, com alta de 127,3%, e os investimentos previstos são de R$ 10 milhões, com redução de 21,7%.

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