Tarso convida ambientalista para fazer parte do governo

Francisco Milanez foi encarregado de criar plano de sustentabilidade

Fernanda Nascimento

JONATHAN HECKLER/JC

‘Essa (crise) vai nos ajudar a pensar o futuro do Estado’, projeta Milanez

‘Essa (crise) vai nos ajudar a pensar o futuro do Estado’, projeta Milanez

O governador Tarso Genro (PT) deu mais uma resposta à crise instaurada no setor do meio ambiente – após a deflagração da Operação Concutare – e convidou o presidente da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan), Francisco Milanez, para coordenar a criação de um Programa de Sustentabilidade. O projeto debatido ontem, em reunião no Palácio Piratini, promete ser pioneiro e envolver a iniciativa privada, o poder público e a sociedade civil na busca por alternativas para o futuro ambiental do Estado. A criação da nova estrutura se soma a outras medidas adotadas pelo governo estadual após a Polícia Federal ter apontado indícios de pagamento de propina para a emissão de licenças ambientais. Na segunda-feira, Tarso Genro anunciou que escolherá pessoalmente o novo presidente da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) e que o cargo não é “objeto de negociação política” e terá um perfil técnico.
Outros reflexos da operação foram as exonerações do ex-secretário do Meio Ambiente (Sema) Carlos Fernando Niedesberg (PCdoB) e da ex-presidente da Fepam Gabriele Gottlieb (PCdoB), ambos no rol de investigados pela polícia. A temática do meio ambiente também terá espaço ampliado no Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (Conselhão), que vai instalar uma Câmara Temática para tratar do assunto na sexta-feira.
O nome de Milanez chegou a ser cotado – e comemorado – entre ambientalistas. Mas, de acordo com o novo integrante do governo, sua missão será “implantar um programa para virar referência e fazer um trabalho amplo”. O ambientalista ainda desconhece em qual setor estará alocado e a estrutura que terá para a organização do trabalho, mas pretende auxiliar as ações da Sema e da Fepam. “Não teremos um papel fiscalizador ou ligado ao setor de licenças ambientais, mas o diálogo vai nos ajudar a iluminar com novas ideias estes órgãos importantíssimos”, afirmou Milanez.
Na avaliação do ambientalista, o governo está disposto a enfrentar os problemas do setor ambiental. “A maior resposta do governo é ficar responsável pela nomeação da Fepam. Mas, é claro que as crises sempre nos iluminam, e essa vai nos ajudar a pensar o futuro do Estado”, disse.

Paulo Brack torcia pela indicação de Milanez à Fepam

Alexandre Leboutte
O professor de biologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) Paulo Brack, que também coordena a Assembleia Permanente de Entidades em Defesa do Meio Ambiente (Apedema), mostrou-se frustrado quando soube que a indicação do biólogo Francisco Milanez não seria para a presidência da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) – informação que circulou ao longo da tarde de ontem -, mas para uma função de coordenação de uma política de sustentabilidade junto ao Executivo.
“Era muito bom para ser verdade”, declarou Brack, que se mostrava otimista ante a possibilidade de o presidente da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan) ser o escolhido do governador Tarso Genro (PT) para o órgão técnico responsável pelo licenciamento ambiental no Estado, depois que uma crise no setor se instalou com a descoberta da Polícia Federal de um esquema de pagamento de propinas para a liberação de licenças junto às secretarias estadual e municipal de Meio Ambiente.
No meio da tarde, quando circulava a informação de que Tarso havia convidado o presidente da Agapan para presidir a Fepam, Brack chegou a comemorar o fato de alguém com perfil técnico para ficar à frente da fundação. “É uma pessoa com preparo técnico e vem acompanhando essas questões ambientais aqui no Estado há algumas décadas”, observou.
Depois, quando o convite não foi confirmado, o ambientalista mudou o tom. Mesmo dizendo não ter muita clareza sobre o que fará Milanez na nova função, o presidente da Apedema ponderou que as políticas de desenvolvimento do Estado são, de uma forma geral, ultrapassadas, privilegiando grandes empreendimentos, como a indústria de celulose e a retomada do carvão mineral para geração de energia. “O atual modelo de desenvolvimento se contrapõe à ideia de sustentabilidade. É preciso pensar em empreendimentos menores”, observa Brack, prevendo que Milanez terá dificuldades para mudar este cenário.

Indicações do PCdoB para a Sema devem ser postergadas

A elaboração da lista com sugestão de dirigentes do PCdoB para o comando da Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema) deve ser postergada, já que o presidente estadual do partido, deputado Raul Carrion, cumpre agenda em Córdoba, na Argentina, e retorna somente no sábado. Outra liderança ausente, até amanhã, é a vereadora e ex-secretária da Sema Jussara Cony, que está em São Lourenço.
Ambos estão no centro do debate interno comunista, que busca quadros técnicos para o comando da pasta. Até a deflagração da Operação Concutare, o PCdoB era responsável pela gestão da Sema, com Carlos Fernando Niedersberg, e da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam), com Gabriele Gottlieb. Mas os dois foram exonerados por suspeita de envolvimento no esquema de pagamento de propina para liberação de licenças ambientais. A crise resultou na perda do poder de indicação para a Fepam, que será feita pessoalmente por Tarso Genro (PT). Mas o comando da secretaria deve continuar com os comunistas, “desde que tenham quadros qualificados”, conforme o governador.
Carrion admitiu que seu próprio nome está entre os possíveis indicados. A saída do único deputado comunista da Assembleia resultaria em trocas em outras esferas, já que a primeira suplente é Jussara Cony. Se aceitasse o cargo, Cony daria lugar a Rodrigo Maroni (PCdoB), na Câmara Municipal. Em caso de declínio da vereadora, o segundo suplente de Carrion não seria do partido, pois a vaga caberia a Vanderlan Vasconselos (PSB).

Fonte: Jornal do Comércio

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