Tarpon quer ouvir fundos sobre BRF

A Tarpon, terceira maior acionista da BRF, quer sentar à mesa para negociar e conhecer os planos dos fundos de pensão Petros e Previ para o futuro da companhia, de acordo com fontes próximas à gestora.

Na sábado, as fundações solicitaram uma assembleia extraordinária de acionistas para votar a destituição de todo o conselho de administração da BRF. A intenção dos fundos de pensão, que têm juntos 22% da companhia, é tirar Abilio Diniz do comando do colegiado. O pano de fundo para a insatisfação é crise enfrentada pela empresa, que teve prejuízo de R$ 1,1 bilhão em 2017.

A Tarpon, que até o ano passado tinha posição de destaque na BRF com o sócio Pedro Faria como CEO, "não vai se colocar no papel de defesa" de sua gestão à frente da empresa, segundo uma das fontes. "O papel da Tarpon será estar na mesa para construir uma solução", afirmou outra fonte, lembrando que a Tarpon é acionista desde 2002, quando tinha participação na antiga Sadia. Em 2009, a Sadia foi incorporada pela Perdigão, o que deu origem à BRF.

Ao Valor, duas fontes que acompanham as articulações dos fundos de pensão disseram que a margem de negociação com a Tarpon é restrita. Conforme essas fontes, não há disposição de oferecer uma vaga na chapa do conselho da BRF que será apresentada pelos fundos.

"Acho que a Tarpon está só fazendo barulho para valorizar a posição", disse uma das fontes, salientando que, para gestora, deter um assento no conselho seria preservar o status quo que os fundos querem alterar. "Seria mudar para deixar como está. Não acredito nisso", concluiu.

Se de um lado quer conhecer os planos de Previ e Petros para a BRF, a gestora também defende que os acionistas possam conhecer as propostas do CEO José Aurélio Drummond, que assumiu a função em dezembro. Defendido por Abilio, o executivo é criticado pelos fundos e sua gestão também não tem empolgado acionistas minoritários.

Segundo Mauro Cunha, presidente da Associação de Investidores no Mercado de Capitais (Amec), alguns desses minoritários que são sócios da entidade se manifestaram nos últimos dias favoravelmente às mudanças propostas pelos fundos de pensão. Mas, segundo Cunha, é impossível dizer que essa seja uma posição unânime dos minoritários.

Enquanto a disputa concentra as atenções dos principais envolvidos, a ordem de Drummond é manter os principais executivos da companhia focados nos planos internos. Ontem, Drummond visitou uma das fábricas da BRF. "Os executivos estão super focados, sem se abalar com essa história", acrescentou uma fonte.

Antes de o pedido de destituição do conselho vir à tona, a BRF pretendia realizar um evento com investidores nos dias 7 e 8 de março para apresentar os planos de Drummond para resgatar a BRF. Na segunda-feira, em carta, Abilio lamentou que os acionistas não tivessem tido a chance de conhecer esses planos

Mas os esforços para isolar a gestão não são triviais, e mesmo problemas da área de recursos humanos, como a distribuição de participação nos lucros e resultados (PLR), extrapolaram para a disputa política. Ontem, representantes dos trabalhadores da BRF, que vinham elogiando a abertura da nova direção para o diálogo, anunciaram um encontro nacional para discutir "o impasse" decorrente do não pagamento de PLR.

Na sexta-feira, durante teleconferência com analistas investidores, Drummond afirmou que a empresa pagará uma "gratificação extraordinária" aos funcionários pelo "esforço", apesar do prejuízo do ano passado. Foi uma tentativa da nova gestão para evitar o cenário do ano passado, quando os sindicatos fizeram manifestações contra a ausência do PLR de 2016.

Ao Valor, o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores das Indústrias de Alimentação e Afins (CNTA Afins), Arthur de Camargo, afirmou que a gratificação, de cerca de R$ 450 por trabalhador, representa uma melhora. No entanto, ele disse que a BRF precisa alterar a política mais profundamente. Também por isso, afirmou apoiar a tentativa de Petros e Previ de tirar Abilio do comando da empresa. "Também estamos fazendo um movimento para tirar ele", afirmou Camargo. (Colaborou Fernando Lopes)

Por Luiz Henrique Mendes | De São Paulo

Fonte : Valor

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