Tabaco, um produto de exportação

Concentrada na região Sul do país e sustentada sobretudo por agricultores familiares, a cadeia produtiva do tabaco continua a gerar resultados sócio-econômicos considerados positivos e a colaborar para engordar as exportações do país. E, mesmo diante das restrições aos cigarros que se multiplicam por diversos mercados, por questões ligadas à saúde ou a regras de convivência entre fumantes e não fumantes, não há nada no horizonte que sugira uma mudança radical de rota, o que tende a manter relevância da atividade para economias regionais que, embora pressionadas, não encontraram alternativas de renda à altura.

É o que se pode depreender dos dados reunidos no estudo "Relevância do Setor de Tabaco no Brasil", recém-concluído pela Tendências Consultoria Integrada a pedido do Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco). Não são conclusões novas, mas, para uma cadeia produtiva que para muitos não resistiria à mudança dos tempos, não deixam de ser alvissareiras. De qualquer forma, a "sobrevivência" seguirá a ser colhida no exterior, até pelos prejuízos causados pelo contrabando às vendas domésticas.

No ano passado, resgata o estudo da Tendências, os embarques brasileiros de "fumo e seus produtos" somaram 462,2 mil toneladas e renderam US$ 2,09 bilhões, praticamente o mesmo patamar de 2016. Do Sul do país partiram 458,8 mil toneladas, ou US$ 2,05 bilhões. O Rio Grande do Sul que abriga o principal polo de produção do país, foi responsável por 79,7% da receita das vendas externas da região. No total, as exportações absorvem mais de 60% da produção nacional – que representa mais de 10% da colheita global.

O peso dos embarques, portanto, é fundamental para a renda gerada aos pequenos produtores de tabaco, que, por mais que tenham sido motivados a mudar de cultura nos últimos anos, não encontraram opções capazes de preservar seus padrões de vida e continuaram a aposta na cultura, em uma cadeia produtiva onde são praticamente "integrados" de grandes empresas, exportadoras de fumo ou fabricantes de cigarro. Essa aposta é justificada por índices mais elevados de renda per capita e escolaridade, embora o trabalho infantil, a maior parte de filhos de pequenos produtores, permaneça como um problema a ser combatido.

Conforme o trabalho da tendências, os principais destinos dos embarques brasileiros de tabaco em 2017 foram Bélgica – graças ao porto de Antuérpia, porta de entrada para outros mercados europeus -, China e EUA. Desses, a China é o que apresenta maior potencial de crescimento nos próximos anos.

Fonte: Valor | Por Fernando Lopes | De São Paulo