Sustentabilidade – Trator movido a biometano chega ao campo brasileiro

Protótipo fabricado pela multinacional New Holland não deixou a desejar em lavouras europeias, agora, agricultura paranaense fará os próximos testes

 Plantações de soja e milho serão os principais focos dos testes feitos no Brasil Plantações de soja e milho serão os principais focos dos testes feitos no Brasil
Foto: Divulgação

São Paulo – Não é de hoje que a questão ambiental se tornou mais uma preocupação para as empresas e no agronegócio não seria diferente. Na verdade, a multinacional fabricante de máquinas New Holland buscava a convergência entre redução de custo, desempenho operacional e sustentabilidade, assim nasceu o trator movido a biometano.

A ideia do equipamento é que o agricultor seja autossuficiente na produção do gás natural, fato que pode desencadear em uma economia de 20% a 40% nas despesas com combustível. Além disso, estima-se uma redução de 80% nas emissões de CO2 em relação ao trator convencional, à diesel, da mesma série.

Em 2016, depois de dois anos em desenvolvimento, investimentos a nível global e alguns ajustes, um dos cinco protótipos de testes na lavoura chegou ao Brasil. Diferente da experiência inaugurada na Itália, em que a parceira foi realizada unicamente entre a montadora e a propriedade rural, aqui, a Usina Hidrelétrica Itaipu Binacional se encarregou de dar uma ‘forcinha’ para que o projeto tenha êxito.

"Vamos fornecer os equipamentos para o agricultor produzir um metano mais puro. Matéria-prima não vai faltar", explica o diretor da Itaipu, Jorge Samek, ao DCI durante a oficialização da parceria através de um acordo de cooperação técnica assinado na Exposição Internacional de Animais, Máquinas, Implementos e Produtos Agropecuários (Expointer), em agosto, no Rio Grande do Sul. O vice-presidente da New Holland para a América Latina, Alessandro Maritano, foi a contraparte.

Os insumos citados por Samek como matéria-prima são dejetos de animais e vegetais, abundantes no Paraná, forte polo de criação de aves e suínos paralela à atividade agrícola. Ao chegar no País, o trator permaneceu na fábrica de Curitiba (PR), antes de seguir para Foz do Iguaçu (PR), cidade em que será verificada a aplicabilidade no campo.

"A aceitação vai depender muito da capacidade [do produto] em se adaptar à economia da região", afirma Maritano, ao DCI. Para ele, o modelo brasileiro de negócios, que contempla fazendas com integração entre lavoura e pecuária, favorece este tipo de investimento. A cadeia de proteína animal, que apenas se desfaz dos dejetos, também poderia fornecê-los a agricultores.

O executivo da New Holland acredita que o protótipo deve ficar em análise entre três e cinco anos, período válido para os demais modelos que estão rodando pelo mundo. Dois estão na Europa, um na América do Norte, um no complexo regional Ásia-Pacífico e, o brasileiro, para a América Latina.

Em Foz do Iguaçu, o trator deve realizar atividades normais dentro de algumas fazendas pré-selecionadas. Com a operação pelos próprios clientes, dados de consumo e performance serão levantados.

O gerente de Marketing de produto da New Holland, Nilson Righi, acrescenta que os trabalhos dentro da porteira serão focados no preparo de solo e plantio, principalmente em áreas de commodities, como soja e milho. Alguma atuação na pecuária também está nos planos da companhia.

"Os trabalhos já estão no terceiro ano na Europa e muitos pontos já foram melhorados no trator, principalmente no motor, que recebeu ajustes ao longo do tempo. Lá, o foco é um pouco diferente do nosso, mas rodou no trigo, fazenda de pecuária e operações de carreta em estradas", conta Righi.

Experiência italiana

O trator esteve na Wyke Farms, uma das maiores produtoras de queijo cheddar do Reino Unido. Em Somerset, na Inglaterra, o protótipo foi submetido a testes com uma cisterna de resíduos, transportando material para a planta de digestão anaeróbia (biometanização) da fazenda. Esses digestores processam dejetos gerados por mil vacas leiteiras, resíduos de cidra local e outros materiais.

"Minha primeira impressão foi de que o T6 a metano se parece e funciona como um trator a diesel", disse Roger Clothier, diretor da Wyke Farms, por meio de nota. O equipamento conseguiu realizar o transporte de materiais por cerca de 5 horas. Segundo ele, embora um trator a diesel funcione por períodos mais longos com um tanque de combustível, o reabastecimento do trator movido a metano não chegou a ser um problema.

Nayara Figueiredo

Fonte : DCI

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