Sustentabilidade melhora posição em concorrência

Fonte: Valor | Por Ana Luiza Mahlmeister | Para o Valor, de São Paulo

A relação entre investimentos em programas e ações de sustentabilidade e aumento da competitividade fica cada vez mais evidente, tanto para as empresas, como para as economias em todo o mundo. "Com base nos fundamentos da economia ecológica, há um limite imposto ao crescimento econômico pela ‘capacidade de carga’ do planeta (devido ao estoque de recursos naturais e de energia), assim como pelos efeitos negativos que o processo de industrialização provoca sobre o meio ambiente", avalia o professor João Amato Neto, professor titular e chefe do Departamento de Engenharia de Produção da Poli-USP.

Exemplo de convergência entre investimentos em sustentabilidade e maior competitividade empresarial são os "produtos verdes" da Philips que representaram em 2009-2010 um total de 31% das vendas globais da empresa, equivalente a US$ 33 bilhões, em comparação a 23% em 2008. Durante o período, foram investidos mais de € 400 milhões e 800 produtos sustentáveis lançados. Entre eles destacam-se as lâmpadas com a tecnologia LED que chega a 45 mil horas de duração e consome 80% menos energia que as demais.

"Quando há regulação com exigência de respeito ao ambiente, as empresas são obrigadas a ser criativas e geralmente desenvolvem soluções melhores obtendo maiores ganhos nos processos do que antes", afirma Isak Kruglianskas, professor de administração da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA-USP) e coordenador de um curso de pós-graduação em sustentabilidade empresarial.

Entre os exemplos, ele cita a Ambev que se livrava de resíduos de malte em aterros e passou a vender a sobra para a indústria veterinária, obtendo lucro com o processo. E a Rhodia de Paulínia (SP) que depois de multada pelo vazamento de resíduos em afluentes da região descobriu falhas em seu processo industrial eliminando a perda de matéria-prima.

Um caso exemplar dos "mercados verdes" emergentes é o de embalagens plásticas para alimentos e produtos de higiene e limpeza a partir dos biopolímeros. A produção mundial desse material deverá ter um salto de 136% até 2015, segundo a European Bioplastics, atingindo 1,7 milhão de toneladas anuais. Caso a estimativa seja confirmada, a previsão é de que o Brasil seja um dos principais destaques, com a produção do bioplástico a partir da cana-de-açúcar.

Segundo Amato Neto, o Brasil deu passos importantes com a recente aprovação da Política Nacional de Resíduos Sólidos. "Todos os atores envolvidos na cadeia produtiva – fabricantes, importadores, distribuidores, comerciantes e consumidores – têm participação no processo de ecogestão, principalmente no campo da logística reversa."

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