Surto de peste suína no Ceará não assusta cadeia produtiva

O Brasil reportou ontem à Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) a descoberta de um foco de peste suína clássica em Forquilha, no Ceará. O surto foi detectado em uma propriedade de criação familiar. Foram constatados 115 casos, com 112 mortes. Os outros três animais foram sacrificados.

"As investigações continuam na zona de contenção, bem como na zona de vigilância estabelecida em torno do surto e nas propriedades com as quais já foi estabelecida uma ligação", explicou o Brasil à OIE. O Ceará não está zona livre de febre suína clássica do país, que inclui 17 Estados, e o surto está a mais de 500 quilômetros dos limites dessa área.

"O foco está a 3,5 mil quilômetros dos principais polos de produção e de exportação de carne suína do Brasil. O Ceará [que não está na zona livre] não está entre os maiores produtores de carne suína do país e não há fluxo de exportação do produto partindo do Estado", afirmou, em nota, a Associação Brasileira de Proteína animal (ABPA), confirmando informações também divulgadas pelo Ministério da Agricultura.

Segundo ABPA e ministério, também não há fluxo comercial de produtos suínos partindo do Ceará com destino às regiões Sudeste, Centro-Oeste e Sul do Brasil. "É importante esclarecer, também, que a peste suína clássica é uma doença notoriamente menos grave que a peste suína africana, que tem impactado os polos de produção da Ásia e da Europa. É uma enfermidade menos agressiva, com menor capacidade de difusão e erradicação mais eficiente. E não há risco ao consumidor e à saúde humana", lembrou a ABPA.

Segundo o ministério, a zona livre de peste suína clássica do país concentra mais de 95% da indústria suinícola brasileira e é origem de 100% das exportações brasileiras de carne suína e derivados. Inclui Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás, DF, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Bahia, Sergipe, Tocantins, Pará, Rondônia e Acre, e dentro dessa zona, a última ocorrência da doença foi em 1998.

Fonte: Valor | Por Cleyton Vilarino e Cristiano Zaia | De São Paulo e Brasília