SUPLEMENTO ÁGUA: Nordeste lidera expansão de vendas de água mineral

A adoção de hábitos saudáveis é a principal explicação da indústria para o crescimento anual das vendas de água mineral. O volume consumido pelos brasileiros saltou de 4,7 bilhões de litros em 2002 para mais de 10 bilhões de litros no ano passado. A expansão deve se manter nos próximos anos e, em menos de uma década, o consumo per capita deverá subir de 45 litros para 132 litros, o mesmo da França, estima a Associação Brasileira da Indústria de Águas Minerais (Abinam).

"Nada segura mais o consumo de produtos naturais, entre os quais a água mineral", diz Carlos Alberto Lancia, presidente da Abinam. A recuperação do poder aquisitivo entre os consumidores das classes C e D, além do aumento no fluxo de turismo interno e da facilidade de adquirir o produto em pontos de venda diversificados, segundo ele, também contribuem para o aumento das vendas.

Os números relativos a 2012 deverão ser divulgados pela Abinam em abril. Lancia estima que no ano passado o consumo deve ter ficado 15% acima dos 9 bilhões de litros consumidos em 2011.

A maior parte das vendas é de garrafões retornáveis de 20 litros, equivalentes a 54% do total vendido por embalagens. O consumo de garrafas descartáveis corresponde a 43% do mercado e os garrafões retornáveis de 10 litros, a 3%.

Pesquisa sobre o mercado de água mineral da Nielsen também indica crescimento do consumo. Entre janeiro e junho de 2012, foram consumidos 1,7 bilhão de litros nas áreas geográficas pesquisadas pela empresa, 8% mais do que no primeiro semestre de 2011. O faturamento nessas áreas, que incluem todas as regiões brasileiras, cresceu 13,6% no período, alcançando R$ 1,4 bilhão. O aumento do consumo em Estados nordestinos, como Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco foi o que mais puxou as vendas.

Nessa região, o volume consumido cresceu 18,6%, atingindo 875, 2 milhões de litros. O segundo maior aumento foi nos Estados do Mato Grosso do Sul, Goiás e Brasília, de 11,7%, alcançando 158,6 milhões de litros. "A pesquisa mostra uma tendência de aumento de vendas no Nordeste, nas lojas de pequeno porte do varejo e de embalagens de 20 litros", afirma o analista de mercado da Nielsen Bernardo Canella.

O faturamento do setor também se mantém em alta. Entre 2007 e 2011, saltou de R$ 870 milhões para R$ 2,1 bilhões, segundo a Abinam. A concorrência é acirrada. Há no mercado 422 marcas de 589 empresas, que empregam 40 mil pessoas. Mesmo assim, os preços sobem muito acima da inflação. No ano de 2011, o preço da água mineral foi reajustado em 8,66%, segundo o Índice de Preços ao Consumidor (IPC/Fipe), superior à alta de 5,10% do índice geral.

Essa tendência se mantém em 2013. No período de 12 meses, encerrado em fevereiro, a água mineral ficou 11,32% mais cara, aumento superior à inflação da capital paulista no período, que foi de 5,91%, segundo o IPC/Fipe. A evolução, segundo a indústria, reflete o aumento do custo de produção e o peso da carga tributária.

São Paulo é o maior Estado produtor, responsável por 19,5% da produção nacional. A expectativa de Lancia é que o governo paulista adote percentual próximo ao de outros Estados, como Santa Catarina (7%). "Para isso, a água mineral ao invés de bebida tem de ser enquadrada como alimento. Com a cobrança de ICMS menor o preço pode cair até 10%."

Para a indústria, os preços evoluem também por causa do aumento dos custos. "O valor da mão de obra, transporte e embalagens, itens que mais pesam na composição do custo, tem sofrido aumentos superiores aos índices oficiais de inflação", diz Hélio Corrêa, presidente da Águas Ouro Fino, empresa com participação de 2,5% em um mercado pulverizado.

Metade das vendas do setor é disputada por cerca de 70 empresas, enquanto outras quinhentas brigam pela outra metade. Isso leva à busca permanente por maior eficiência na gestão, o que, segundo Correa, também explica o bom resultado financeiro da empresa em 2012, que faturou com a água e outros produtos R$ 75 milhões. As vendas anuais de água mineral Ouro Fino, que já haviam crescido 13% um ano antes, superaram em 16% as de 2011.

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Fonte: Valor | Por Salete Silva | Para o Valor, de São Paulo

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