Suíno gaúcho tem preço mais baixo do País

Um levantamento mensal do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo (Cepea/USP), divulgado ontem, indica que o preço pago aos produtores de suínos no Rio Grande de Sul é o mais baixo do País. Enquanto em Minas Gerais (estado com os maiores valores pagos) a média é de R$ 2,82 por quilo, para os criadores gaúchos a mesma quantidade rende em média apenas R$ 2,29, mesmo com o leve aumento de 0,9% registrado em fevereiro. Os baixos valores apontados pela pesquisa zeraram os lucros dos suinocultores, uma vez que, com o cenário de estiagem e a quebra na safra de milho, os custos de produção aumentaram consideravelmente, e há dificuldade em dividir os prejuízos com a outra ponta da cadeia.
De acordo com a pesquisa, após as quedas de janeiro os preços do suíno vivo e da carne conseguiram se sustentar em fevereiro. Para março, a expectativa de alguns agentes é de vendas mais firmes. Na comparação com fevereiro do ano passado, os preços de São Paulo, Minas Gerais e Paraná estiveram superiores. Apenas em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul as médias foram inferiores às do ano passado.
O cenário, segundo o presidente da Associação de Criadores de Suínos do Rio Grande do Sul (Acsurs), Valdecir Folador, é de extrema preocupação. De acordo com o dirigente, o panorama não é novidade. No entanto, a margem de lucro, que era de R$ 0,15 por quilo no final do ano passado, atualmente foi zerada ou é negativa. “Somente os produtores muito eficientes estão conseguindo tirar algum tipo de lucro. No geral, estamos trabalhando no vermelho desde janeiro e é motivo de comemoração se conseguimos empatar os custos com o preço”, revela.
Um dos agravantes é a alimentação dos animais. Enquanto no resto do País a safra de verão do milho derrubou as cotações do grão, no Estado – que deixou de colher cerca de três milhões de toneladas devido à estiagem – houve elevação de preços e até mesmo falta de oferta do principal insumo de rações. “Hoje é preciso buscar milho fora do Estado e arcar com os custos de frete, sem possibilidade de estocar”, afirma Folador, que se diz preocupado também com a falta de competitividade do produto gaúcho no mercado interno.
Principal exportador de carne suína, o Rio Grande do Sul ainda precisa enfrentar uma nova baixa. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic) com base em fevereiro apontam redução de 77% nas vendas para a Argentina, o terceiro principal comprador do produto brasileiro. Por determinação do governo argentino, as importações necessitam de autorizações para ingressar no país vizinho, que responde por 9% do mercado nacional de suínos. Para Folador, a questão deve pressionar os preços e trazer reflexos negativos à cadeia produtiva no Estado.

Fonte: Jornal do Comércio | Rafael Vigna

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