Suinocultores podem ter dificuldade de manter o plantel

Com um ciclo mais longo que a criação de aves, que pode ser interrompida e retomada em 45 dias, a suinocultura precisa de até um ano para ofertar animais para abate na condição ideal, de acordo com Mauro Gobbi, vice- -presidente da Associação de Criadores de Suínos do Estado (Acsurs).

Com isso, se o produtor reduzir agora a criação e o mercado voltar a normalizar, haverá dificuldades para, em pouco tempo, retomar o fornecimento à indústria. Mas enquanto não manda os suínos para os frigoríficos, os gastos com alimentação seguem os mesmos, alerta o produtor de Rondinha, no Norte do Estado.

No momento, diz Gobbi, a oferta de milho no Rio Grande do Sul, apesar dos custos elevados, ainda está normal, mas nos próximos meses será necessário trazer o grão de fora do Estado. Com todo o custo de frete que isso exige e até diferenciação no pagamento de impostos.

"Estamos negociando com o governo do Estado algumas medidas que possam mitigar essa elevação de custos, até mesmo como forma de não aumentar a inflação dos alimentos, um dos maiores problemas para famílias de baixa renda hoje", ressalta Gobbi.

No horizonte, porém, duas perspectivas positivas já despontam: o aumento nas exportações, com o recebimento do certificado de zona livre de aftosa sem vacinação, em maio, a elevação da oferta de grãos no mercado interno com boa safra e possível redução nos embarques de soja para China.

De acordo com a Asgav, um possível ressurgimento da peste suína africana poderá levar a uma queda expressiva na demanda pelos grãos para rações de suínos. Aliado a isso, a colheita brasileira de grãos 2020/2021 deve crescer em torno de 6%, sobre a safra anterior e o milho – tem projeção de uma produção recorde e poderá atingir 108,1 milhões de toneladas, volume em torno de 5,4% superior à safra anterior.

"Caso se confirme o cenário para safras recorde de milho e soja, e mais os efeitos da redução da produção de aves que vem sendo adotada por indústrias e cooperativas do setor, logo teremos um cenário mais equilibrado na cotação destes grãos no Brasil", avalia o presidente da Asgav/ Sipargs, José Eduardo Santos.

Fonte: Jornal do Comércio

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *