Suíça Precious Woods quer expandir atuação no Brasil

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Markus Brütsch: em busca de financiamento para a ampliação dos negócios

A suíça Precious Woods quer expandir sua presença na floresta amazônica. Especializada no corte de árvores e na venda de madeira certificada, a companhia explora há duas décadas uma área de 500 mil hectares próxima a Manaus. Seus planos agora são obter mais 600 mil hectares, também no Estado do Amazonas, por meio de contratos de concessão pública. A companhia já iniciou conversas com bancos e fundos sobre recursos para a expansão.

Cerca de 60% dos clientes da empresa estão na Europa. A madeira exportada pela companhia, também para mercados como o americano e o asiático, é usada em acabamentos da construção civil, estruturas portuárias, diques e dormentes, entre outros fins. "Nosso mercado está crescendo", disse ao Valor o CEO da empresa, Markus Brütsch. Recentemente, em uma de suas poucas operações no país, a Precious Woods vendeu um lote de madeira para o restauro do telhado do Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo.

Ele lembrou que vários países têm adotado regras mais rígidas para a importação de madeiras e exigido que o produto seja certificado. O Brasil ainda está entre os mercados que consomem, primordialmente, madeira sem certificação. "As empresas de madeira certificada têm grandes oportunidades para crescer e é por isso que estamos buscando aumentar nossas áreas", disse Brütsch em entrevista por Skype na semana passada, quando o executivo estava no escritório central da múlti em Zug, região central da Suíça.

Madeira certificada é aquela com selo de garantia, concedido por uma instituição verificadora que atesta que as árvores foram cortadas de maneira sustentável, de forma a não comprometer a conservação de determinada área. Desde 1997, a Precious Woods tem sua área no Brasil certificada pelo Forest Stewardship Council (FSC), instituição sem fins lucrativos criada em 1993. No mundo, só 7% das florestas tropicais naturais têm algum tipo de certificação, segundo o executivo. Desse percentual, afirmou ele, cerca de 10% estão com a Precious Woods.

No Brasil, a companhia se apresenta como a maior produtora de madeira tropical certificada. Mas também opera no Gabão, no oeste africano, em uma área de 600 mil hectares. Na amazônia, emprega 550 trabalhadores; no Gabão, 750. A Precious Woods extrai de sua área em Itacoatiara, a 250 quilômetros de Manaus, 140 mil metros cúbicos de toras por ano. São 45 espécies de madeira exploradas, com destaque para maçaranduba e cumaru. No Gabão, extrai 200 mil metros cúbicos.

No Brasil, as árvores são cortadas, serradas e vão em balsas até o porto de Manaus. De lá, seguem até Belém, onde são embarcadas em cargueiros para os clientes estrangeiros. A produção total no Brasil e no Gabão de madeira serrada foi de 24 mil metros cúbicos no ano passado.

A ampliação no Brasil deverá acontecer por meio de concessão. Uma das áreas em vista é do Estado do Amazonas e outra, menor, do governo federal. Somados, os lotes têm cerca de 600 mil hectares e ficam próximos a Itacoatiara. Brütsch avalia que a concessão federal pode sair ainda este ano e a estadual, em 2019. A empresa aposta que o momento é favorável para esses planos. "Fomos informados que o Ministério do Meio Ambiente quer ter milhões de hectares de florestas sob concessão pública", afirmou Brütsch que participou da cúpula climática na Alemanha, a COP 23, em novembro.

No evento o Brasil recebeu recursos adicionais para o Fundo da Amazônia, que tem a Noruega como principal doadora. O objetivo é ajudar nas ações de preservação e combate ao desmatamento. O fundo, gerido pelo BNDES e pelo MME, tem, ao todo, R$ 3,1 bilhões. "Esse fundo também deve ser aberto para o setor privado; por isso tive uma conversa com o pessoal do BNDES sobre empréstimos", disse o executivo, que esteve no Brasil há um mês. Além do BNDES, já há conversas abertas com outras potenciais fontes de crédito.

"Estou falando com instituições pelo mundo", disse Brütsch. No ano passado, ele levou o projeto da empresa a representantes do Banco Mundial em Washington. "Também estou falando com fundos". Para pagar pelas concessões, a empresa espera recorrer a um modelo no qual o valor a ser amortizado possa ser debitado dos ganhos que virão com as novas áreas. Além da expansão no Amazonas, Brütsch está interessado em outras áreas no Brasil – no Acre, por exemplo. E também na Bolívia, Peru e na bacia do Rio Congo.

Em 2017, as vendas globais da Precious Woods totalizaram € 45 milhões ante € 41,3 milhões em 2016. O Ebitda também melhorou: de € 6,9 milhões para € 8 milhões. A empresa disse que os resultados poderiam ter sido melhores, não fossem o bloqueio de portos de Manaus devido a uma operação da Polícia Federal contra madeireiras ilegais e uma greve no Gabão.

Por Marcos de Moura e Souza | De Belo Horizonte

Fonte : Valor

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