Status sanitário amplia foco nas exportações

Condição de livre de aftosa sem vacinação foi assinada terça-feira e deve ser protocolada pela OIE em maio de 2021

A aprovação do Ministério da Agricultura para a retirada da vacina contra febre aftosa no Rio Grande do Sul, definida na noite de terça-feira, agora depende do aval da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) para uma mudança efetiva no status sanitário do Estado.

A decisão, que pode ser anunciada em maio de 2021, quando ocorre o próximo encontro da OIE, deve abrir as portas de novos países para a carne bovina gaúcha e ampliar o portfólio de negócios para a carne suína.

Esses ganhos, porém, se darão em médio e longo prazo e dependerão, ainda, de negociações comerciais das indústrias na conquista de novos clientes internacionais.

No caso da carne bovina, a partir da mudança, o alvo gaúcho para expansão das vendas está centrado principalmente em cinco países: Estados Unidos, México, Canadá, Coreia do Sul e Japão. A perspectiva anima frigoríficos como o grupo BRF, produtor de aves e suínos. A empresa considera que a elevação do status sanitário amplia o espaço para exportação de proteína animal, com possibilidade de abertura de novos mercados para a produção gaúcha.

De acordo com o diretor executivo do Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Rio Grande do Sul (Sicadergs), Zilmar Moussalle, estes são mercados atendidos hoje pelo Uruguai, e onde o Rio Grande do Sul teria mais condições de competir a partir da mudança de status pela OIE. "O Uruguai é o único grande fornecedor de carne bovina da América Latina para esses países, mesmo tendo vacinação, mas por algumas prerrogativas que obteve anteriormente", explica o executivo.

Nas carnes suínas, detalha o presidente da Associação dos Suinocultores do Estado (Acsurs), Valdecir Folador, a expectativa, a médio e a longo prazo, é justamente aumentar embarques para o grande comprador mundial, a China. Atualmente, o gigante asiático adquire de frigoríficos gaúchos apenas carne suína sem osso. A Coreia do Sul e o Japão também entram na mira. "Quando ocorrer essa mudança de status sanitário e pudermos exportar carne com osso teremos processos operacionais mais práticos na indústria, já que a desossa toma tempo, e também novos produtos para embarque, como a costela suína", explica Folador.

O presidente da Acsurs, porém, ressalta que esses ganhos não ocorrem de imediato, e pondera que, mesmo com status diferenciado há mais tempo, Santa Catarina não exporta grandes volumes de carne sem osso para esses destinos. Boa parte do ganho seria mesmo oriundo na agilidade operacional nos frigoríficos e ampliação do portfólio para possíveis exportações. "O volume exportado não necessariamente crescerá só a partir da retirada da vacina, mas claro que tem ganhos. É como se passássemos para a prateleira de cima, a mais alta, no quesito saúde animal", compara Folador. Mais otimista quanto aos lucros da retirada da vacina, o governo gaúcho calcula que o setor de suínos teria um aumento nas exportações de cerca de R$ 600 milhões anuais. A Secretaria da Agricultura do Estado inclui no rol de novos compradores também países como Chile e Filipinas.

A Instrução Normativa foi assinada na noite de terça-feira pela ministra da Agricultura, Tereza Cristina, reconhecendo o Rio Grande do Sul como zona livre de vacinação contra a febre aftosa. Na semana passada, auditores do ministério estiveram na Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr) para avaliar o cumprimento das exigências feitas para a obtenção do novo status sanitário.

"Trata-se de uma mudança que vem sendo gestada e planejada há um bom tempo pela Secretaria de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural. Com a retirada da vacina, o Estado poderá alcançar 70% dos mercados mundiais disponíveis", afirma o secretário da Agricultura, Covatti Filho.

Ele observa que 2020 será o último ano com vacinação no Estado.

O documento também reconhece como área livre de vacinação os estados do Acre, Paraná, Rondônia e regiões do Amazonas e de Mato Grosso.

Fonte: Jornal do Comércio

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