Sou fazendeiro e pago a conta do atual Código, mas faço feliz, pois sei que é o melhor para o futuro, diz cineasta

Fonte:  Ruralbr

Em entrevista, Fernando Meirelles fala da campanha #florestafazadiferença, que ajudou a agilizar

Gisele Loeblein

O cineasta Fernando Meirelles, depois de mostrar a realidade das favelas do Brasil para o mundo com o filme Cidade de Deus (2002), agora quer chamar a atenção dos brasileiros para outro tema igualmente polêmico: a mudança do Código Florestal.

É dele um dos depoimentos da campanha #florestafazadiferença, na qual dezenas de celebridades alertam para os problemas existentes no texto aprovado pela Câmara dos Deputados. Gravados em webcams, os vídeos ajudaram a popularizar a mobilização do Comitê Brasil em Defesa das Florestas e do Desenvolvimento Sustentável.

Em entrevista ao jornal Zero Hora, Meirelles explica que foi convidado a participar e agilizar a campanha #florestafazadiferença.

– Fui convidado para participar ou dar uma força. Sou um mero instrumento agilizador nesta iniciativa.

Segundo ele, os participantes optaram pelos vídeos caseiros para conseguir mais adesões da população.

– Ou fazíamos um ou dois filmes nos moldes tradicionais ou optávamos por um formato mais simples para conseguir adesões espontâneas. Foi o que ocorreu. Parece que 95% da classe está a favor de uma revisão no Código. Além do que, fazendo por e-mail, foi uma campanha com custo zero e totalmente sustentável.

Os outros artistas que participaram da campanha também foram convidados, através de e-mails.

– Mandamos e-mails para nossos amigos e a resposta foi pronta e imediata. Alguns não conseguiram fazer a tempo, mas ninguém deixou de fazer por discordar da ideia. Todos fizeram seus próprios textos e, evidentemente, não cobraram. Imagino que o Lima Duarte na campanha Sou Agro tenha recebido um polpudo cachê. Está certo ele, e faz sentido, pois os interesses por trás ali vão além do mero apoio a uma ideia de desenvolvimento para o Brasil. Certamente, ninguém trabalhou de graça ali. Sem crítica nenhuma nisso, minha produtora vive basicamente de produzir filmes para os clientes venderem seus produtos. Está tudo certo.

Para o diretor, os principais problemas apresentados no novo texto do Código estão relacionados à mata ciliar.

– A largura de mata ciliar não pode ser reduzida. A nova maneira de se identificar “topo de morro” compromete enormes áreas de florestas nestes locais. Rios intermitentes não podem dispensar matas ciliares como diz o novo texto. Módulo familiar não pode ser definido apenas pela área, pois isso abre brecha para cambalacho. Propriedades maiores se subdividindo para poder usar as facilidades da lei. A “anistia” a quem não cumpriu a legislação, já vigente, até 2008, não me parece justa com quem cumpriu a lei. Reforça a ideia do país do jeitinho. Somar APPs nos 20% de reserva legal não me parece correto. A falta de proteção a mangues é um desastre. É matar o berço da cadeia alimentar de rios e mares. Há boas ideias em discussão como a remuneração para quem preserva florestas, a diferenciação da lei para diferentes biomas, etc.Vale lembrar que sou fazendeiro e pago a conta do atual Código, mas faço isso feliz, pois sei que é o melhor para o futuro.

ZERO HORA

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