Sorriso liderou valor da produção agrícola do país em 2016, indica IBGE

Sorriso, no norte do Mato Grosso, reassumiu a liderança no ranking nacional de valor da produção agrícola em 2016, com R$ 3,2 bilhões, 28,3% mais que em 2015, segundo a Pesquisa Agrícola Municipal (PAM) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada ontem.

Maior produtor de soja e milho do país, Sorriso foi beneficiado pelo aumento dos preços desses grãos no ano passado, em virtude da quebra da produção no Centro-Sul do país. Esse mesmo fator favoreceu a ascensão de outras cidades mato-grossenses e goianas no ranking (ver infográfico) – todas com crescimentos de dois dígitos no valor da produção em 2016. Forte em algodão, cujo mercado foi desfavorável, São Desidério, na Bahia, que liderou a lista em 2015, caiu para o 11º lugar no ano passado.

No total, estimou a PAM do IBGE, o valor da produção agrícola brasileira somou R$ 317,5 bilhões em 2016, um crescimento de 20% em relação ao ano anterior. E, em geral, esse aumento foi puxado mais por preços do que por volume, uma vez que as intempéries provocadas pelo El Niño também prejudicaram outras culturas. Daí a pressão dos alimentos sobre a inflação em 2016.

"Eleita" há alguns anos pelo Ministério da Agricultura como a capital brasileira do agronegócio, Sorriso lidera as produções de soja e milho do país, com mais de 1 milhão de hectares. O valor gerado pela agricultura do município representa 20,8% do total do Estado de Mato Grosso, segundo a pesquisa. Conforme o IBGE, Sorriso tinha em 1º de julho deste ano 82.792 habitantes.

"Sorriso e São Desidério têm se revezado na liderança nacional nos últimos anos. Notamos, porém, que Sorriso tem aumentado a área plantada de milho [cultivado na segunda safra, após a colheita da soja produzida no verão], o que pode ter contribuído para que a cidade permanecesse no primeiro lugar durante um período mais longo desta vez", disse Alfredo Guedes, gerente de Agricultura do IBGE.

Segundo a pesquisa, dos dez maiores municípios em valor de produção, sete são em Mato Grosso. Todos têm grandes áreas de cultivo e usam alta tecnologia – o que, aliado ao clima favorável, impulsiona a produtividade. "Como o cultivo da soja e do milho ocorrem em épocas distintas, há um maior aproveitamento da área agricultável", avaliaram os técnicos do IBGE no estudo.

Ainda assim, São Paulo, puxado pela cana e um variado leque de cultivos, voltou a ser o Estado de maior valor da produção agrícola do país em 2016, à frente de Mato Grosso.

Por Bruno Villas Bôas | Do Rio

Fonte : Valor

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