Sorriso, em MT, novamente liderou o valor da produção brasileira em 2017

Num ano em que a supersafra de grãos derrubou preços e, pela primeira vez em sete anos, o valor total da produção agrícola do país, Sorriso, no centro-norte do Estado de Mato Grosso, obteve resultados positivos graças ao avanço da soja, ratificou a fama de "capital brasileira do agronegócio" e novamente liderou a receita do setor. É o que aponta a pesquisa "Produção Agrícola Municipal 2017", divulgada na manhã de ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), no Rio de Janeiro.

O órgão confirmou que, puxada por soja e milho, a colheita nacional de cereais, leguminosas e oleaginosas totalizou 238,4 milhões de toneladas no ano passado, 28,2% mais que em 2016. Esse salto ajudou a derrubar preços e pressionou o valor da produção agrícola em geral, que caiu 0,6%, para R$ 319,6 bilhões. Carlos Alfredo Guedes, gerente do IBGE, lembrou que o mercado voltou à normalidade após a seca de 2016, quando os preços dispararam, e que a retração do valor total não foi maior graças à soja, cuja colheita chegou a 114,6 milhões de toneladas, 18,9% mais que no ano anterior, e garantiu um incremento de 6,8% de sua receita, para pouco mais de R$ 112 bilhões.

E de soja Sorriso entende. No município mato-grossense, marcado por grandes propriedades com gestão profissionalizada e elevados índices de produtividade, a colheita do grão atingiu 2,2 milhões de toneladas, ou R$ 2,2 bilhões. No total, somando-se culturas como milho e algodão, o valor da produção agrícola dessa cidade de pouco mais de 85 mil habitantes chegou a R$ 3,3 bilhões, aumento de 2,4% sobre o ano anterior. Ancorada no algodão, Sapezal, a sudoeste de Sorriso, ficou em segundo lugar no ranking da "Produção Agrícola Municipal 2017", com valor total da produção de R$ 2,6 bilhões, 6,1% menos que em 2016.

Resultados como os desses dois municípios mantiveram Mato Grosso em segundo lugar entre os Estados de maior valor da produção agrícola do país, com participação de 13,6% no bolo total. A liderança permaneceu com São Paulo, cuja fatia chegou a 16,6%. Mais conhecido pelas indústrias do que pelas lavouras, São Paulo apresenta rara diversificação. O carro-chefe é a cana-de-açúcar, mas o Estado também é forte no cultivo de frutas – com destaque para a laranja -, legumes e verduras e voltou a registrar crescimento da produção de grãos.

E, diferentemente do que aconteceu com os grãos, o valor da produção nacional de frutas registrou incremento de 4,6% em 2017, para R$ 38,9 bilhões. Apenas a laranja, boa parte dela voltada à fabricação de suco para exportação, respondeu por R$ 8,5 bilhões, aumento de 2% na comparação. Com São Paulo à frente apesar dos resultados negativos da cana, e com a colaboração de Minas Gerais, a região Sudeste do país liderou o valor da produção agrícola do país em 2017, com R$ 91 bilhões. Nessa lista, em seguida vieram Sul (R$ 85,7 bilhões) e Centro-Oeste (R$ 83,9 bilhões), as duas regiões do país que lideram a produção de grãos.

Por Bruno Villas Bôas | Do Rio

Fonte : Valor